Antonio Fernandes

Navegando pela vida…

O MATERIALISMO COMO TENTAÇÃO NA VIDA PAROQUIAL

Em minha caminhada católica, vivi ontem uma experiência que me deixou entristecido. Ao acompanhar uma etapa de formação na paróquia, percebi sinais de algo que o Evangelho sempre nos adverte: a tentação de levar para dentro da vida eclesial a mesma lógica do mundo — a lógica da disputa, do…

Em minha caminhada católica, vivi ontem uma experiência que me deixou entristecido. Ao acompanhar uma etapa de formação na paróquia, percebi sinais de algo que o Evangelho sempre nos adverte: a tentação de levar para dentro da vida eclesial a mesma lógica do mundo — a lógica da disputa, do prestígio, do “lugar”, da imagem e, às vezes, do interesse material.

Digo isso com humildade e prudência, porque sei que posso me enganar nas minhas impressões. Ainda assim, não posso ignorar o que isso provocou em mim: uma sensação de que, em certos ambientes, quem busca servir com sinceridade e profundidade pode acabar desanimado quando encontra um clima de competição, murmuração e pequenas rivalidades. E isso fere, porque a Igreja deveria ser, antes de tudo, escola de caridade e de santidade.

O Catecismo nos lembra que a caridade exige que evitemos o julgamento temerário, a detração e a calúnia (CIC 2477–2479). Por isso, ao invés de apontar culpados, prefiro reconhecer o combate espiritual que todos enfrentamos. A tentação do ego e do reconhecimento não está “apenas nos outros”: ela também pode morar em mim. E é justamente aí que o Evangelho se torna concreto.

A paróquia é lugar de transcendência em Deus: oração, sacramentos, formação, serviço e comunhão. Isso não significa falta de alegria, nem rigidez sem amor. Significa, porém, que nossa vida comunitária precisa ser purificada de tudo o que transforma serviço em palco e missão em autopromoção. Quando a lógica do aplauso e da aparência ganha espaço, a alma se dispersa e a caridade esfria.

Nesse mesmo espírito de fidelidade, recordo algo objetivo da nossa tradição: os sacramentais (como a água benta) têm sentido porque a Igreja os abençoa e os propõe como sinais que nos dispõem a receber a graça (CIC 1667–1670). Se não houver água benta, muitas vezes o mais prudente é simplesmente omitir o gesto, em vez de criar substitutos que confundam os fiéis. A clareza ajuda a fé simples do povo.

Diante de tudo isso, o que fazer? Antes de qualquer coisa: rezar, calar o coração diante de Deus, pedir humildade e procurar ver a própria conversão. Depois, buscar meios concretos e cristãos: diálogo respeitoso, correção fraterna quando couber, direção espiritual, e uma decisão firme de perseverar no bem sem entrar no jogo das disputas.

O Sermão da Montanha continua sendo o nosso norte (Mt 5–7). Ele não nos autoriza a desprezar ninguém; ele nos chama a ser pobres de espírito, mansos, misericordiosos, puros de coração e pacificadores. E, ao mesmo tempo, nos lembra que o caminho é exigente — não para nos lançar no desespero, mas para nos manter vigilantes e cheios de esperança.

Enquanto estamos vivos, há tempo: tempo de conversão, de cura, de crescimento e de santificação. Peçamos a graça de sermos morada do Senhor, carregando nossa cruz com amor, sem perder a caridade, e ajudando nossos irmãos a caminhar também.

Que Deus abençoe a todos.

Rio de Janeiro, RJ, 26 de janeiro de 2026.

Antonio C Fernandes S F

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