Antonio Fernandes

Navegando pela vida…

  • “A pior coisa para mim é eu ofender uma pessoa e não haver uma reação da outra parte.” Marcelo Araújo

    No caminho da fé, somos constantemente chamados à conversão do coração. Quando ofendemos um irmão, mesmo sem intenção, ferimos a dignidade de um filho de Deus. E quando esse irmão permanece em silêncio, sem reação, somos confrontados com um espelho espiritual. O silêncio do ofendido reflete o vazio que nosso pecado provocou, não apenas no outro, mas também em nós.

    Jesus nos ensinou que a reconciliação deve preceder qualquer oferta feita no altar (Mt 5,23-24). O silêncio de quem foi ferido, muitas vezes, é um grito mudo que clama por justiça, por acolhimento ou por um pedido sincero de perdão. Esse silêncio pode ser também uma cruz para quem sofre e para quem ofendeu, mas é, acima de tudo, um convite à humildade.

    Se a falta de reação nos inquieta, é sinal de que ainda há amor em nosso coração. E o amor verdadeiro não se conforma com a ferida aberta, pois ele busca restaurar, pedir perdão, fazer as pazes. No silêncio do outro, Cristo nos fala. Nos chama à responsabilidade, à misericórdia, à coragem de ir ao encontro e dizer: “Perdoa-me, meu irmão. Ao te ofender, pequei contra Deus.”

    Que o Espírito Santo nos conceda sabedoria para reconhecer nossas falhas, sensibilidade para perceber o sofrimento alheio e coragem para restaurar, com caridade, aquilo que foi rompido. Pois onde há reconciliação, ali está presente o Reino de Deus.

    A Paz de Cristo e o Amor de Maria.

    Antonio C Fernandes S F

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  • Escrito por Carol Lynn Miller | 19 de abril de 2019

    Fonte: https://www.magiscenter.com/blog/fulton-sheens-last-good-friday-homily-spectators-on-and-about-the-cross?hs_amp=true

    Em 1979, uma grande multidão se reuniu na Igreja de Santa Inês, em Nova York, para ouvir a sabedoria de Dom Fulton Sheen, naquela que seria a última homilia de Sexta-feira Santa que ele proferiu.

    O tema escolhido por Dom Sheen foi: “Espectadores ao Pé da Cruz”. Ele dividiu os espectadores em três grupos:

    1. Os espectadores indiferentes ou afastados da fé

    2. Os espectadores da dor

    3. Os espectadores do amor

    E como isso se aplica a nós?

    Em um momento de sua homilia, Dom Sheen declarou:

    “Somos espectadores neste dia. Todos nós, em diferentes graus, somos espectadores.”

    Nesta Sexta-feira Santa, ao revivermos a Paixão e Morte de Nosso Senhor, unimo-nos àquela multidão de espectadores.

    Os Espectadores Indiferentes ou Afastados

    São representados pelos quatro soldados que, sob a cruz, apenas observam. Eles não contemplam com reverência, mas foram encarregados de vigiar o corpo de Cristo, pois haviam sido avisados de que Ele poderia ressuscitar. Enquanto mantêm vigília, lançam sortes sobre Sua túnica.

    A esses afastados da fé, Dom Sheen diz que, embora não creiam, ainda observam e pensam:

    “Talvez Ele ressuscite. É melhor ficarmos por aqui.”

    E completa:

    “Vocês jogam dados, buscam pequenos prazeres aqui e ali, tentando esquecer que abandonaram a fé. Mas, ao mesmo tempo, a graça de Deus vos inquieta e vos perturba.”

    Apesar do afastamento de Deus, Dom Sheen termina com uma mensagem de esperança:

    Se os indiferentes e afastados simplesmente se deixarem conduzir ao confessionário, Deus os acolherá com misericórdia infinita.

    Os Espectadores da Dor

    Representados pelos dois ladrões crucificados, um à direita e outro à esquerda de Cristo. Eles simbolizam todos nós que sofremos com dores, angústias, preocupações mentais, tribulações e tristezas.

    Dom Sheen expressa com beleza:

    “É justo, portanto, que o Bom Senhor, ao olhar para a dor, nos deixasse uma lição.”

    E qual lição nos deixou o Senhor?

    Por meio do bom ladrão — aquele que se arrepende e diz:

    “Senhor, lembra-Te de mim quando entrares no Teu Reino” — aprendemos que Deus nunca nos permite carregar um fardo maior do que podemos suportar.

    Citando C.S. Lewis, que Dom Sheen também menciona:

    “Deus sussurra em nossos prazeres, fala em nossa consciência, mas grita em nossas dores: a dor é o megafone de Deus para despertar um mundo surdo.”

    Dom Sheen explica que os efeitos da dor são o oposto dos de uma pedra lançada na água: ao invés de se expandirem para fora, os círculos da dor recolhem-se para dentro, até que reste apenas a alma diante de Deus.

    A dor, assim, pode ser um instrumento de união com o Senhor.

    O bom ladrão compreendeu isso e nos mostra que a dor pode transformar-se em janela para a verdade de que nossa morada definitiva não está neste mundo marcado pelo sofrimento, mas no Reino que Cristo chama de Paraíso.

    Os Espectadores do Amor

    São representados por duas mulheres ao pé da cruz: Maria Santíssima, nossa Mãe, e Maria Madalena.

    Essas duas mulheres encarnam dois tipos de amor:

    • O amor de necessidade, que nasce de nossa imperfeição e carência

    • O amor de doação, que nada deseja para si, mas tudo oferece

    Dom Sheen explica que o amor de necessidade nasce de nossa condição limitada. Como criaturas, necessitamos de muitas coisas:

    “Precisamos de alimento para o corpo, pensamento para a mente, música para os ouvidos, amigos para o coração. Tudo isso supre uma carência.”

    Esse amor está relacionado ao amor erótico, entendido por Freud não como amor pela pessoa, mas desejo do prazer que ela proporciona.

    Por outro lado, o amor de doação nada quer, nada exige. Apenas se entrega, se rende, se sacrifica.

    Antes de sua conversão, Maria Madalena representava o amor de necessidade. Após seu encontro verdadeiro com Cristo, seu amor transforma-se em amor de doação — o mesmo amor de Nossa Senhora.

    Ela já não buscava algo para si, mas desejava doar-se inteiramente ao Senhor.

    E Nós? Também Somos Espectadores?

    Como Dom Sheen afirmou:

    “Somos espectadores neste dia. Todos nós, em diferentes graus, somos espectadores.”

    A cada Sexta-feira Santa temos a oportunidade de nos unir aos que estavam ao pé da cruz há dois mil anos. Podemos reconhecer em nós traços de cada um desses grupos:

    • Os indiferentes nos lembram que ninguém está fora do alcance da misericórdia divina.

    • Os que sofrem nos mostram que Deus nos fala por meio da dor.

    • Os que amam nos ensinam que o verdadeiro amor é aquele que se doa por inteiro.

    Agradecemos a Dom Fulton Sheen por estas palavras de sabedoria neste tempo santo da Paixão do Senhor.

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  • Então Deus pronunciou todas estas palavras: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair do Egito, da casa da servidão.
    Não terás outros deuses diante de minha face.
    Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto. Eu sou o Senhor, teu Deus, um Deus zeloso que vingo a iniqüidade dos pais nos filhos, nos netos e nos bisnetos daqueles que me odeiam, mas uso de misericórdia até a milésima geração com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.
    Não pronunciarás o nome de Javé, teu Deus, em prova de falsidade, porque o Senhor não deixa impune aquele que pronuncia o seu nome em favor do erro.
    Lembra-te de santificar o dia de sábado.
    Trabalharás durante seis dias, e farás toda a tua obra. Mas no sétimo dia, que é um repouso em honra do Senhor, teu Deus, não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu animal, nem o estrangeiro que está dentro de teus muros. Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que contêm, e repousou no sétimo dia; e por isso. o Senhor abençoou o dia de sábado e o consagrou.
    Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se prolonguem sobre a terra que te dá o Senhor, teu Deus.
    Não matarás.
    Não cometerás adultério.
    Não furtarás.
    Não levantarás falso testemunho contra teu próximo.
    Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem nada do que lhe pertence”.
    Diante dos trovões, das chamas, da voz da trombeta e do monte que fumegava, o povo tremia e conservava-se à distância.
    E disseram a Moisés: “Fala-nos tu mesmo, e te ouviremos; mas não nos fale Deus, para que não morramos”. Moisés respondeu-lhes: “Não temais, porque é para vos provar que Deus veio e para que o seu temor, sempre presente aos vossos olhos, vos preserve de pecar”. E o povo conservou-se à distância, enquanto Moisés se aproximava da nuvem onde se encontrava Deus.

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  • Oração para antes da Confissão

    Senhor, iluminai-me para me ver a mim próprio tal como Vós me vedes, e dai-me a graça de me arrepender verdadeira e efetivamente dos meus pecados. O Virgem Santíssima, ajudai-me a fazer uma boa confissão.

    Oração para uma boa Confissão

    Meu Deus, por causa dos meus pecados crucifiquei de novo o Vosso
    Divino Filho e escarneci Dele. Por isto sou merecedor da Vossa cólera e expus-me ao fogo do Inferno. E como fui ingrato para convosco, meu Pai do Céu, que me criastes do nada, me redimistes pelo preciosíssimo sangue do Vosso Filho e me santificastes pelos Vossos santos Sacramentos e pelo Espírito Santo! Mas Vós poupastes-me pela Vossa misericórdia, para que eu pudesse fazer esta confissão. Recebei-me, pois, como Vosso filho pródigo e dai-me a graça de uma boa confissão, para que possa recomeçar a amar-Vos de todo o meu coração e de toda a minha alma, e para que possa, a partir de
    agora, cumprir os Vossos Mandamentos e sofrer com paciência os castigos temporais que possam cair sobre mim. Espero, pela Vossa bondade e poder, obter a vida eterna no Paraíso. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém.

    Fonte: http://www.fatima.org/port/essentials/requests/pdf/exam_of_con_port.pdf

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  • Oração de reconhecimento e decisão

    “Ó bondade, ó misericórdia infinita do meu Deus! Graças Vos rendo por me haverdes perdoado os meus pecados, e de novo os detesto de todo o meu coração.

    Concedei-me a graça, meu Salvador, pela virtude do Sacramento da Penitência que acabo de receber, de não recair nestes pecados, e de levar de hoje em diante uma vida toda nova, sempre assistido pela vossa graça e perseverando no vosso amor até a hora da minha morte. Amém.”

    Oração de ação de graças

    “Pai Eterno, eu te agradeço e te louvo por tua bondade e misericórdia. Tu tiveste compaixão de mim, embora em minha confusão eu tenha me afastado de ti e até mesmo te ofendido. Com amor paternal, tu me recebeste de novo depois de tantas recaídas no pecado. E tu perdoaste minhas ofensas por meio do santo Sacramento da penitência. Bendito sejas Tu para sempre, ó meu Deus, bendita seja tua benevolência, tua infinita misericórdia! Nunca mais quero entristecer-te por ingratidão, por desobediência à tua santa vontade. Tudo o que sou, tudo o que tenho, tudo o que faço será consagrado ao teu serviço e à tua glória.”

    Fonte: https://arquidiocesedebelem.com.br/a-oracao-a-base-do-cristianismo-2/

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  • Santo Afonso Maria de Ligório


    Oh! Meu Jesus, eu creio 
    que estás presente no Santíssimo Sacramento.
    Amo-Vos sobre todas as coisas 
    e minha alma suspira por Vós.
    Mas como não posso receber-Vos agora, 
    de maneira Sacramental, 
    vinde ao menos espiritualmente ao meu coração. 
    (pausa)
    Abraço-me convosco, uno-me a Vós inteiramente.
    Não permitais que eu me separe de Vós.
    Oh Jesus, sumo bem e doce amor meu, 
    vulnerai e inflamai o meu coração, 
    a fim de que esteja abrasado 
    em Vosso amor para sempre.
    Amém.

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  • Sermão de São Leonardo de Porto Maurício

    O Pequeno Número dos que se Salvam

    São Leonardo de Porto Maurício foi um santíssimo frei franciscano que viveu no mosteiro de São Boaventura, em Roma. Ele foi um dos maiores missionários da história da Igreja. Pregava frequentemente a milhares de pessoas em praças, pois as igrejas não comportavam todos os ouvintes. Sua eloquência brilhante e cheia de santidade era tamanha que, certa vez, dando duas semanas de missão em Roma, o Papa e o Colégio dos Cardeais foram ouvi-lo. Ele promovia especialmente a Imaculada Conceição da Santíssima Virgem, a adoração ao Santíssimo Sacramento e a veneração ao Sagrado Coração de Jesus. Não foi pequena a sua colaboração para a definição do dogma da Imaculada Conceição, proclamado pouco mais de cem anos depois de sua morte. Deixou-nos também as “Divine Praises” (Ladainhas de Reparação), rezadas ao final da bênção do Santíssimo. Porém, sua obra mais famosa foi a devoção à Via-Sacra. Morreu em odor de santidade aos setenta e cinco anos, após vinte e quatro anos de pregação ininterrupta.

    Um de seus sermões mais notáveis, utilizado para converter grandes pecadores, é “O Pequeno Número dos que se Salvam”. Como todos os seus escritos, ele foi submetido a exame canônico durante seu processo de canonização. Nele, São Leonardo analisa vários estados de vida dos cristãos e conclui que, proporcionalmente à totalidade do gênero humano, poucos são os que se salvam.

    A quem refletir nesse texto extraordinário não escapará a solidez de sua argumentação, razão pela qual ele obteve a aprovação da Igreja. Eis, pois, o comovente e marcante sermão desse grande missionário.


    Introdução

    Bendito seja Deus, pois o número de discípulos do Redentor não é tão pequeno que a malícia dos escribas e fariseus pudesse triunfar sobre eles. Ainda que se empenhassem em caluniar a inocência e em iludir a multidão com traiçoeiras sofísticas (buscando até manchas no sol), muitos O reconheceram como verdadeiro Messias e, sem temer castigos ou ameaças, uniram-se abertamente à Sua causa. Mas terão todos que O seguiram permanecido com Ele até a glória? Oh, ante tal mistério, prefiro venerar o profundo desígnio de Deus e adorar em silêncio o abismo de Seus decretos, a me aventurar em juízos precipitados sobre tema tão importante!

    O assunto que quero abordar é muito grave: já fez tremer colunas da Igreja, encheu os maiores santos de temor e povoou os desertos de anacoretas. Trata-se de saber se o número de cristãos que se salvam é maior ou menor que o dos que se condenam. Espero que isso vos incuta um salutar temor dos juízos divinos.

    Irmãos, por amor a vós, eu gostaria de dar-vos uma perspectiva doce de felicidade eterna, dizendo: “Estais certos de ir para o Paraíso; a maior parte dos cristãos se salva; logo, vós também.” Mas como poderia fazê-lo se vejo que agis contra os decretos de Deus, como se fôsseis vossos próprios inimigos? Observo em Deus o genuíno desejo de vos salvar, mas encontro em vós obstinação em rumo contrário. Então, se eu falar claramente, não vos agradarei; se me calar, não agradarei a Deus.

    Dividirei, pois, o tema em dois pontos. No primeiro, para encher-vos de espanto, deixarei que teólogos e Padres da Igreja se pronunciem, afirmando que a maior parte dos cristãos adultos se condena; e, venerando em silêncio esse terrível mistério, reservarei minha opinião pessoal. No segundo ponto, defenderei a bondade de Deus contra os ímpios, provando-vos que quem se condena o faz por culpa própria, pois quer se condenar. São duas verdades extremamente importantes. Se a primeira vos assusta, não me acuseis de querer restringir vosso caminho ao céu, pois me limito a citar teólogos e Padres da Igreja, que hão de gravar essa verdade em vosso coração pela força de suas razões. Se a segunda verdade vos causa arrependimento, agradecei a Deus, que deseja apenas uma coisa: que Lhe entregueis inteiramente vosso coração. E, se ainda me pedirdes que diga de modo claro o que penso, fá-lo-ei para vossa consolação.


    1. O Ensinamento dos Padres da Igreja

    Não se trata aqui de curiosidade vã, mas de prudente cautela ao proclamar de cima do púlpito verdades que contêm a lassidão dos libertinos, sempre a falarem da misericórdia de Deus e da facilidade de se converter, mas mergulhados em toda sorte de pecados, dormindo sossegados no caminho do inferno. Para despertá-los, hoje examinemos a grande questão: Entre os cristãos, será maior o número dos que se salvam ou o número dos que se condenam?

    Vós, almas piedosas, podeis até retirar-vos, pois esta prédica não é para vós. Ela visa conter o orgulho dos libertinos que expulsam de si o santo temor de Deus e se unem ao demônio que, segundo Eusébio, conquista almas tranquilizando-as. Para resolver tal questão, consultemos em conjunto os Padres da Igreja (gregos e latinos), os mais célebres teólogos e historiadores, colocando a Bíblia aberta ao centro. Não escuteis a mim – pois não quero falar por conta própria nem decidir –, mas escutai o que dizem tais mestres, luminares da Igreja de Deus, cuja função é iluminar os demais para que não se afastem do caminho do céu. Com a tríplice luz da fé, da autoridade e da razão, chegaremos a uma conclusão segura sobre questão tão grave.

    Importa frisar que falamos não de todo o gênero humano nem de todos os católicos sem distinção, mas apenas dos católicos adultos, que têm livre-arbítrio e assim podem cooperar em sua salvação. Primeiro, perguntemos a teólogos prudentes, que não costumam exagerar: ouçamos, por exemplo, dois notáveis cardeais, Caetano e Belarmino. Ambos sustentam que a maior parte dos cristãos adultos se condena; e se eu tivesse tempo para expor seus fundamentos, ficaríeis vós mesmos convencidos. Direi apenas que, após examinar todos os teólogos com diligência, Suárez concluiu: “A opinião mais comum é que, entre os cristãos, há mais almas condenadas que predestinadas.”

    Associai a isso a autoridade dos Padres gregos e latinos, e vereis que quase todos professam o mesmo. Este é o pensamento de São Teodoro, São Basílio, São Efrém e São João Crisóstomo. Segundo Barônio, a maioria dos Padres gregos ensinava que tal verdade foi revelada a São Simeão Estilita, e que, após tal revelação, o santo passou quarenta anos na coluna, em penitência e santidade exemplares. Quanto aos Padres latinos, São Gregório declara: “Muitos chegam à fé, mas poucos ao Reino dos céus.” São Anselmo diz: “Poucos se salvam.” Santo Agostinho é ainda mais explícito: “São poucos, portanto, em comparação aos que se perdem.” O mais extremo, porém, é São Jerônimo, que, em seus últimos dias, perante discípulos, exclamou: “De cem mil homens que viveram sempre no mal, mal haverá um digno de indulgência.”


    2. As Palavras da Sagrada Escritura

    Mas, por que recorrer à opinião dos Padres e teólogos, se a própria Sagrada Escritura elucida tudo com grande clareza? Atentai no Antigo e no Novo Testamento e encontrareis variadas figuras, símbolos e afirmações demonstrando claramente que muito poucos se salvam.

    • No tempo de Noé, todo o gênero humano foi submerso pelo Dilúvio, e apenas oito pessoas foram salvas na Arca. São Pedro afirma que a Arca era figura da Igreja. Santo Agostinho acrescenta: “E aquelas oito pessoas que se salvaram indicam que muito poucos cristãos se salvam, pois são raros os que renunciam verdadeiramente ao mundo; e os que só o renunciam em palavras não se inserem no mistério daquela Arca.”
    • A Bíblia ainda narra que, entre dois milhões de hebreus que saíram do Egito, apenas dois entraram na Terra Prometida, e que só quatro escaparam do incêndio que consumiu Sodoma e cidades vizinhas. Tais fatos significam que o número dos réprobos, lançados ao fogo como a palha, supera incomparavelmente o dos eleitos, recolhidos pelo Pai celeste como trigo precioso.

    Não terminaria se apontasse todas as figuras que confirmam isso. Contentemo-nos em ouvir a Sabedoria Encarnada. Alguém no Evangelho Lhe pergunta: “Senhor, são poucos os que se salvam?” E Jesus, em vez de calar ou falar com cautela, dirige-se a todos os presentes e diz: “Procurai entrar pela porta estreita, pois muitos, digo-vos, tentarão entrar e não poderão.” Quem fala é o Filho de Deus, a Verdade Eterna, que, noutro trecho, ainda mais claramente afirma: “Muitos são chamados, mas poucos escolhidos.” Ele não diz que todos são chamados; diz “muitos”. Conforme explica São Gregório: dentre todos os homens, muitos são chamados à fé verdadeira, mas poucos se salvam. Irmãos, eis palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo! Não são claríssimas? Não são verdadeiras? Pois digam-me, é possível tê-las no coração e não tremer?


    3. Salvação nos Vários Estados de Vida

    A fim de não parecer genérico, apliquemos essa verdade aos vários estados de vida. Veremos que, ou negamos a razão, a experiência e o senso comum, ou confessamos que a maioria dos católicos se condena.

    Haverá estado mais favorável à inocência do que o dos sacerdotes, que são representantes de Deus na terra? Quem não julgaria, à primeira vista, que eles não só são bons, mas perfeitos? Ainda assim, estremeço ao ouvir São Jerônimo dizer que, embora o mundo esteja repleto de sacerdotes, mal se encontra um em cem que viva conforme seu estado; ao ler que um servo de Deus soube por revelação que tantos sacerdotes caíam no inferno por dia, que lhe parecia impossível haver algum ainda na terra; e ao ver São João Crisóstomo exclamar, entre lágrimas: “Não creio que muitos sacerdotes se salvem; tenho antes como certo que a maioria se condena.”

    Subamos a um nível superior: os prelados da Santa Igreja, pastores encarregados de almas. Seria maior o número dos que se salvam ou dos que se condenam entre eles? Cantimprano nos dá uma cena: houve um sínodo em Paris, com grande comparecimento de prelados e pastores de almas. Também o rei e vários príncipes estavam presentes. Chamaram um pregador famoso. Preparando seu sermão, surge-lhe um demônio pavoroso dizendo:

    “Guarda teus livros. Se queres fazer um sermão útil a esses príncipes e prelados, dize-lhes, em nosso nome: ‘Nós, príncipes das trevas, vos agradecemos, ó príncipes, prelados e pastores de almas, porque, por vossa negligência, a maioria dos fiéis se perde. E reservamos, para vós, recompensa quando estiverdes conosco no inferno.’”

    Ai de vós que governais! Se, por vossa culpa, tantos se perdem, que será de vós? Se poucos, dentre os primeiros da Igreja, se salvam, que restará aos demais? Observai todos os estados, ambos os sexos, cada condição: esposos, esposas, viúvas, jovens, soldados, comerciantes, artesãos, ricos, pobres, nobres, plebeus. Que dizer de tantos que vivem tão mal? Escutemos São Vicente Ferrer, que narra um fato ilustrativo: em Lião, certo arcediago renunciou ao ofício e retirou-se ao deserto para fazer penitência, falecendo na mesma data e hora de São Bernardo. Depois, apareceu ao bispo e contou-lhe:

    “Saiba, Monsenhor, que no mesmo instante em que morri, faleceram mais de trinta e três mil pessoas de diversas partes do mundo; entre todas, São Bernardo e eu subimos imediatamente ao céu; três foram ao purgatório e todas as demais se condenaram.”

    Nossa crônica menciona caso ainda mais assustador. Um frade de nossa Ordem, tido em fama de doutrina e santidade, pregava na Alemanha. Ele descreveu a feiura do pecado de impureza com tamanho vigor, que uma mulher ali presente morreu de dor. Voltando à vida, declarou:

    “Quando compareci diante de Deus, chegaram, ao mesmo tempo, mais de sessenta mil pessoas de várias regiões do mundo; dessas, apenas três se salvaram indo ao Purgatório, e todas as outras caíram no inferno.”

    Ó abismo dos juízos de Deus! De trinta mil, só cinco se salvaram; de sessenta mil, apenas três! E vós, pecadores que me ouvis, em que grupo vos contareis? O que dizeis? O que pensais?

    Vejo quase todos abaixando a cabeça, tomados de pavor e espanto. Mas deixemos o atordoamento e tentemos tirar proveito disso. É verdade, há dois caminhos ao céu: a inocência e a penitência. Se vos provo que poucos escolhem qualquer um deles, devereis, como pessoas de bom senso, concluir que poucos se salvam. E, para evidenciá-lo, basta ver se, em cada idade, ofício ou condição, não há sempre uma multidão de maus e um punhado reduzido de bons. Já se dizia com Salviano: é mais fácil achar muitos mergulhados em todo tipo de iniquidade que encontrar uns poucos inocentes.

    Quantos servos são totalmente honestos? Quantos comerciantes são justos e equitativos? Quantos artesãos são exatos e verdadeiros em seu trabalho? Quantos vendedores são isentos e sinceros? Quantos homens de lei não se afastam do reto? Quantos soldados não violam a inocência? Quantos patrões não retêm injustamente o salário dos empregados ou não abusam de seu poder? Por toda parte, raros são os bons, inumeráveis os maus. Quem ignora que hoje reina tanta libertinagem entre adultos, tanta liberdade nas jovens, tanta vaidade nas mulheres, licenciosidade nos nobres, corrupção na classe média, devassidão no povo e insolência nos pobres, que se pode dizer, como Davi: “Todos se desviaram… não há quem faça o bem, não há um sequer.” (Sl 13,3)

    Por onde quer que se vá – ruas, praças, palácios, lares, cidades, campos, tribunais, até na casa de Deus –, onde encontrar virtude? “Ai!” exclama Salviano, “salvo uns poucos que fogem do mal, o que é a assembleia dos cristãos, senão um pântano de vícios?” O egoísmo, a ambição, a gula, o luxo campeiam por toda parte. Não está a maioria escravizada ao vício da impureza? Não disse São João, com razão, que “o mundo inteiro jaz no maligno” (1Jo 5,19)? Eu não o digo; a própria razão vos impõe admitir que, se vivem tão mal, poucos são os que se salvam.

    Talvez pergunteis: “A penitência não poderá reparar a perda da inocência?” Sim, reconheço. Mas digo também que a penitência é algo tão exigente, já tão pouco praticada e tão mal compreendida pelos pecadores, que, só por isso, é crível que poucos encontrem nela a salvação. Quão íngreme, estreito e cheio de espinhos é tal caminho! Em cada passo, veem-se vestígios de sangue e lembranças dolorosas. Muitos recuam só de ver. Muitos desistem no começo. Muitos desfaleçam no meio. Muitos abandonam por fraqueza no fim. Quantos perseveram até morrer? São Ambrósio afirma ser mais fácil encontrar homens que mantiveram a inocência que achar quem pratique penitência digna.

    Consideremos o sacramento da penitência. Quanta confissão malfeita, quantos pretextos calculados, quantos arrependimentos ilusórios, quantas promessas vãs, quantas resoluções sem efeito, quantas absolvições nulas! É válida a confissão de quem acusa pecados de impureza mas não abandona as ocasiões de pecar? Ou de quem reconhece injustiças sem reparar o mal feito? Ou de quem recai nos mesmos delitos logo depois? Oh, que enormes abusos de sacramento tão sublime! Há quem se confesse só para escapar da excomunhão, quem o faça por ostentação. Uns se acusam para se livrar do remorso, outros escondem pecados por vergonha. Uns acusam-se pela metade por malícia, outros por costume. Alguns não visam o fim real do sacramento, outros não têm verdadeira contrição, nem firme propósito. Pobres confessores! Quanto se esforçam para levar a maioria dos penitentes a atos e disposições sem os quais a confissão vira sacrilégio, a absolvição se torna condenação, e a penitência, mera ilusão!

    Como, então, alguns acham que a maior parte dos católicos se salva, sob a alegação de que a maioria morre assistida pelos sacramentos? Isso não prova nada. Ao contrário, concluímos que boa parte se condena, pois confessa-se mal no leito de morte, dado que não se confessava bem enquanto saudável e agora se vê enfraquecida pela moléstia, aturdida pela mente confusa, provocada pelos mesmos pecados, ligada aos maus hábitos, atormentada pelos demônios que tentam lançá-la no inferno. E quantos morrem repentinamente, sem chance de receber os sacramentos: por falha do médico ou descaso dos parentes, ou por envenenamento, terremoto, um golpe, um raio, um incêndio, um afogamento ou numa guerra? Não estaremos obrigados a concluir que a maior parte dos católicos adultos se condena? Eis o raciocínio de São João Crisóstomo: muitos cristãos passam a vida na estrada do inferno e, por isso, não se estranha que a maioria ali chegue. Pois, para chegar a uma porta, segue-se o caminho que a ela conduz. O que se pode replicar a argumento tão decisivo?

    Alguém poderia objetar: “Mas a misericórdia de Deus é grande!” Sim, para quem O teme, diz o Profeta; mas grande também é Sua justiça para quem não O teme, e ela condenará os pecadores obstinados.

    Perguntareis: “Então, para quem é o Paraíso, se não para os cristãos?” É claro que é para cristãos que não desonram o seu caráter e vivem conforme a fé. E, se aos católicos adultos que morrem na graça unirmos a incontável multidão de crianças que, batizadas, morrem antes de chegarem à idade de pecar, não se estranhará a palavra do Apocalipse: “Vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar.” (Ap 7,9)

    Aí se encontra o equívoco dos que afirmam que o número geral de católicos salvos é maior que o de condenados. Se incluirmos todos os batizados, incluindo crianças mortas após o Batismo, de fato, considerando esse conjunto, o número de salvos supera o de condenados. E isso condiz com o que São João viu: “Uma multidão imensa”, bem como com a promessa de Jesus: “Muitos virão do oriente e do ocidente…” etc. Mas, se falamos só de católicos adultos, a experiência, a razão, as autoridades e a Escritura se unem em confirmar que a maioria se perde. Não penseis que o céu fique vazio. Ao contrário, é muito populoso. E se os condenados são “inumeráveis como a areia do mar”, os eleitos são “inumeráveis como as estrelas do céu”: ambos formam multidões incontáveis, porém em proporções muito diferentes.

    Certo dia, em plena catedral de Constantinopla, contemplando tais proporções, São João Crisóstomo, não se contendo, indagou, trêmulo: “Dentre esta multidão, quantos pensais que se salvam?” E, sem aguardar resposta, declarou: “De tantos milhares, não creio que cheguem a cem, e disso ainda duvido.” Que visão terrível! Ele acreditava que, de tantos milhares, apenas cem se salvariam – e ainda não estava seguro desse número. Que será de vós, que me escutais? Meu Deus, estremeço ao imaginar! Irmãos, a questão da salvação é muito árdua: conforme os teólogos ensinam, quando um fim exige grandes esforços, poucos o atingem.

    Assim, após pesados argumentos prós e contras, Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico, conclui: “Porque a felicidade eterna ultrapassa o estado natural, já privado de graça, é o pequeno número que se salva.”

    Afastai, então, a venda de vossos olhos, que vos impede de reconhecer essa evidência, levando-vos a falsos conceitos acerca da justiça divina. “Pai justo, o mundo não Te conheceu”, disse Jesus (Jo 17,25). Ele não disse “Pai onipotente” ou “Pai misericordioso”, mas “Pai justo”. Assim, entendamos que, dentre os atributos divinos, o menos conhecido é Sua justiça, pois os homens não querem aceitar o que temem sofrer. Portanto, tirai esse véu e dizei, com lágrimas: “Ai de nós! A maior parte dos católicos, a maior parte de quem vive aqui, quiçá da assembleia presente, será condenada!” Poderia haver motivo maior para lágrimas?

    Conta-se que o rei Xerxes, contemplando do alto uma tropa de cem mil soldados em formação, chorou ao pensar que, em cem anos, nenhum daqueles guerreiros estaria vivo. E nós, não teríamos razão ainda maior para chorar, vendo que, dentre tantos católicos, a maioria se condenará? Não deveria isso fazer-nos derramar rios de lágrimas, ou, ao menos, gerar em nossos corações a compaixão de que fala um religioso agostiniano, o Venerável Marcelo de São Domingos? Numa meditação sobre as penas eternas, Deus lhe mostrou quão numerosas almas iam ao inferno naquele momento, num caminho amplíssimo, pelo qual caíam vinte e duas mil, esbarrando umas nas outras. Pasmo, o religioso gritava: “Que multidão! E chegam mais! Ó Jesus, que loucura!” Repitamos com Jeremias: “Quem me dera transformar minha cabeça em torrente de água e meus olhos em fonte de lágrimas, para chorar dia e noite os mortos do povo de Deus.” (Jr 9,1)

    Pobres almas, por que correis tão depressa rumo ao inferno? Por piedade, detende-vos um instante e ouvi-me! Ou entendeis a seriedade de salvar-se para sempre e condenar-se para sempre, ou não entendeis. Se entendeis e, não obstante, não vos decidis hoje a mudar de vida, fazer boa confissão, renunciar ao mundo e empregar todos os esforços para figurar entre o pequeno número dos que se salvam, digo-vos que não tendes fé. E, se não entendeis, seríeis menos culpados, pois então não estaríeis no pleno uso da razão. Ser consciente da eternidade da salvação ou da perdição e ainda assim não fazer de tudo para fugir da segunda e garantir a primeira é algo inconcebível.


    4. A Bondade de Deus

    Talvez ainda duvideis de tão terríveis verdades. Mas são teólogos e Padres da Igreja que as defendem, com exemplos e passagens bíblicas de peso. Se, apesar disso, ainda hesitais, simpatizando com a opinião contrária, não seria esse mero detalhe suficiente para alarmar-vos? Ah, isso revela quão pouco vos importa o destino eterno! Pois, em questão tão fundamental, o simples indício de risco deveria bastar para sobressaltar um homem sensato. Um irmão nosso, o Beato Gil, dizia: “Se apenas um único homem, no mundo inteiro, devesse se condenar, eu faria tudo para não ser esse homem.”

    Que faremos nós, se sabemos que a maioria se condena? A única resposta é tomar a firme decisão de integrarmos o pequeno número dos que se salvam. Talvez pergunteis: “Se Cristo quisesse condenar-me, por que me criou?” Cala-te, língua atrevida! Deus não criou ninguém para condenar; quem se condena, condena-se por própria vontade. Passo agora a defender a bondade divina e a liberar-Lhe de toda culpa: este será meu segundo ponto.

    Antes, juntemos de um lado todos os livros e heresias de Lutero e Calvino, e de outro os dos pelagianos e semipelagianos, e os queimemos a todos. Uns negam a graça, outros negam a liberdade, e todos estão cheios de falsidades. Todos os condenados carregam em sua fronte o oráculo de Oséias (13,9): “A tua perdição vem de ti.” De modo que entendam que quem se condena, se condena por malícia própria, por querer condenar-se.

    Tomemos duas verdades inegáveis: “Deus quer que todos os homens se salvem” e “Todos precisam da graça de Deus.” Pois bem, se eu mostrar que Deus realmente quer salvar a todos e para isso lhes concede graça e meios necessários, sereis obrigados a concluir que, se alguém se perde, é por sua própria culpa, pois quis perder-se. “A tua ruína vem de ti; em Mim só encontras auxílio.” (cf. Os 13,9)


    4.1. Deus Deseja a Salvação de Todos

    Há inúmeras passagens na Escritura em que Deus diz querer a salvação de todos. “Porventura quero Eu a morte do pecador, e não antes que se converta e viva?… Juro por Mim mesmo, diz o Senhor Deus: não quero a morte do pecador; convertei-vos e vivereis.”
    Quando se afirma que alguém deseja algo ardentemente, exagera-se às vezes com a expressão “morre de desejo.” Pois bem, Deus tanto quis (e quer) a nossa salvação que morreu por esse desejo, pondo a vida em resgate da nossa. Logo, Seu desejo de nos salvar não é aparente, mas real e eficaz, pois Ele nos dá os meios mais oportunos para alcançarmos esse fim. E não o faz em vão: Ele tem a intenção de que tais auxílios produzam fruto. Se não o produzem, Ele Se entristece e Se ofende. Ele ordena até mesmo aos condenados que usem esses meios para que se salvem; exorta-os, obriga-os; e, se não os utilizam, pecam. Portanto, era possível que os tivessem utilizado e se salvassem.

    Como Deus vê que não conseguimos sequer usar bem Sua graça sem auxílio adicional, Ele no-la oferece generosamente. Se mesmo assim, às vezes, ela fica sem fruto, a culpa é nossa; pois há quem, com graças maiores, abuse e se perca, ao passo que outro, com graças menores, coopera e se salva.

    Santo Agostinho exclama: “Se, pois, alguém se afasta da justiça, é porque assim o quer, arrastado pela própria concupiscência, iludido pela própria vontade.” Mas, a quem não domina a teologia, basta dizer: Deus é tão bom que, vendo um pecador correndo para a perdição, vai atrás dele, chama-o, suplica-lhe, acompanha-o até as portas do inferno; que não fará Ele para resgatá-lo? Dá-lhe boas inspirações, santos propósitos; se este não lhes dá ouvidos, Deus Se “ira” e Se indigna, mas continua perseguindo-o. Vai castigá-lo? Não, Ele açoita o ar e perdoa de novo. Mas o pecador resiste. Então Deus lhe envia uma grave doença. Acabou? Não, Deus o cura. Persistindo o homem em seus pecados, o Senhor recorre a outro caminho: dá-lhe mais prazo. E, passando-se esse, concede-lhe novo período.

    Se, não obstante, o miserável insiste em querer se lançar no inferno, que faz Deus? Abandona-o? Não. Toma-o pela mão e, mesmo com um pé no inferno e outro fora, ainda lhe suplica que não despreze Sua graça. Pergunto agora: se essa alma se condena, não é óbvio que o faz contra a vontade de Deus e porque quer condenar-se? Daí as palavras: “A tua ruína vem de ti” (Os 13,9).

    E se alguém questiona: “Se Deus queria condenar-me, por que então me criou?” – ingrato pecador, fica sabendo hoje que, se fores condenado, não é Deus o culpado, e sim tu mesmo e tua vontade má. Para que te convenças, imaginemos descer ao fundo do abismo e chamemos um réprobo para confirmar isso. Eis um: “Quem és?” – “Sou um pobre idólatra, nasci em terra distante, jamais ouvi de céu ou inferno, e sofro agora.” – “Pobre coitado, não és quem procuro, volta ao teu lugar.” Surge outro: “Quem és?” – “Sou um cismático da Tartária, vivi entre bárbaros, mal ouvi falar de Deus.” – “Também não és quem quero, vai embora.” Outro mais: “E tu?” – “Sou um herege do norte, jamais conheci a verdadeira fé.” – “Segue, pois também não és quem procuro.”

    Irmãos, parte-me o coração ver tais condenados, que sequer tiveram a plenitude da luz da fé, arderem no inferno. Ainda assim, eles ouviram a sentença: “A tua ruína vem de ti” e reconhecem as graças que Deus lhes concedeu (que nós ignoramos, mas eles sabem) e bradam: “Tu és justo, Senhor, e justos são os Teus juízos.” (Sl 118,137)

    Sim, é preciso compreender que a lei mais antiga é a lei natural, impressa por Deus no coração humano. Não requer mestres para ser conhecida; basta a luz da razão para perceber seus mandamentos. Por isso, até bárbaros se escondem ao pecar, pois sabem que fazem o mal. Se tais infiéis se condenam, é porque não cumpriram a lei natural gravada em sua consciência; se a tivessem obedecido, Deus teria feito um milagre para que não se perdessem, enviando-lhes alguém que lhes ensinasse ou concedendo-lhes outras graças, das quais se tornaram indignos por resistirem ao que a consciência lhes indicava. É essa mesma consciência que os acusou no Tribunal de Deus e que agora os acusa no inferno, dizendo-lhes sem cessar: “A tua ruína vem de ti.” Não têm o que retrucar; reconhecem merecer tal suplício.

    Então, se esses infiéis não têm desculpa, que dizer de um católico que teve à disposição sacramentos, prédicas, graças especiais? Como ousaria dizer: “Se Deus queria me condenar, por que me criou?”, quando Ele lhe deu tantas ajudas para se salvar? Vinde, pois, vamos encerrar toda objeção.

    Convido agora um católico no inferno a falar. “Há algum aí?” – “Sim, muitos!” – “Quantos?” – “Incontáveis.” – “Alguém venha!” – “Não podem, estão no fundo e tirá-los de lá reviraria o inferno. Seria mais fácil interceptá-lo antes que caísse.” Então, falo convosco, que ainda viveis em ódio, em vícios de impureza, em pecado mortal, já no rumo do inferno. Detém-te, converte-te; é Jesus que te chama! Com Suas chagas, Ele clama como com vozes eloquentes:

    “Meu filho, se te condenares, a culpa é só tua: ‘A tua ruína vem de ti.’ Olha quantas graças te dei para te salvar! Eu poderia ter-te deixado nascer em florestas de bárbaros, como fiz com tantos; mas fiz que nascestes católico, te ofereci um pai e uma mãe piedosos, instruções puras. Se ainda assim te condenas, de quem é a culpa? Tua: ‘A tua ruína vem de ti, meu filho.’

    Eu poderia ter-te lançado no inferno após teu primeiro pecado mortal, sem esperar o segundo, como fiz com outros; mas fui paciente contigo, esperei-te longamente. Ainda hoje te aguardo, se quiseres te penitenciar. Se mesmo assim te perdes, de quem a culpa? Tua: ‘A tua ruína vem de ti.’ Observa quantos morreram ao teu redor, às vezes em pecado; serviu-te de aviso. Quantos voltaram para Mim, serviram-te de exemplo. Lembras que um confessor te advertiu? Fui Eu quem o inspirou. Recordas daquele sermão que te tocou? Eu te conduzi a ouvi-lo. E o que se passou secretamente entre Mim e tua alma não podes esquecer.

    Todas aquelas inspirações interiores, aquela luz e aquela consciência inquieta… eram graças minhas, pois Eu queria te salvar. Neguei-as a muitos, mas te amei com predileção. Meu filho, se Eu tivesse falado assim a outros, teriam se convertido prontamente. E tu ainda Me dás as costas? Ouve-Me: são minhas últimas palavras. Custaste-Me Meu Sangue. Se insistes em te perder, apesar de Eu ter derramado Meu Sangue por ti, não Me acuses! Culpa apenas a ti mesmo. Por toda a eternidade, recorda: se te condenas, fazes isso contra a Minha vontade, porque queres te condenar: ‘A tua ruína vem de ti.’”

    Ó meu bom Jesus, as pedras se romperiam ao ouvir palavras tão doces e comoventes! Restará alguém, entre nós, que queira ser réprobo, tendo recebido tantas graças e auxílios? Se houver, escute-me agora e ouse resistir se puder.

    Barônio narra que, após a infame apostasia de Juliano (dito o Apóstata), ele concebeu tão ardente ódio ao Batismo que procurava, dia e noite, apagar de si o caráter batismal. Mergulhou num banho de sangue de bode, vítima consagrada a Vênus, na ilusão de extirpar de seu corpo a marca sagrada do Batismo. Achamos tal ato abominável, mas, se tivesse dado certo, certamente seu suplício seria menor no inferno.

    Pecador, darei um conselho que te soará estranho, mas brota de sincera compaixão. Imploro-te de joelhos, pelo Sangue de Cristo e pelo Coração de Maria: muda de vida, faze boa confissão e te empenha para seres do pequeno número dos que se salvam. Se, em vez disso, preferes seguir pelo caminho da condenação, ao menos tenta apagar teu Batismo. Ai de ti, se levares ao inferno o Santíssimo Nome de Jesus e o caráter cristão gravado em tua alma: teu castigo será ainda maior. Faz, pois, o que sugiro: se não queres te converter, vai hoje ao pároco e roga que elimine teu registro de batismo, para que não conste que foste cristão; suplica ao teu Anjo da Guarda que apague de seu livro as graças que ele te ministrou, pois ai de ti se ele as recordar! E diz ao Senhor que te retire a fé, o Batismo e os sacramentos.

    Ficas horrorizado com tal ideia? Então prostra-te aos pés de Jesus e declara, entre lágrimas e sincero arrependimento:

    “Senhor, confesso que até agora não vivi como cristão. Não mereço ser contado entre os Teus eleitos. Reconheço que mereço o inferno, mas Tua misericórdia é grande e, cheio de confiança em Tua graça, proclamo-Te que quero salvar a minha alma, custe o que custar — fortuna, honra, até a vida, contanto que me salve. Se fui infiel até hoje, arrependo-me, lamento e detesto minha infidelidade. Suplico-Te, humildemente, perdoa-me. Perdoa-me, bom Jesus, e fortalece-me para que me salve. Não Te peço riquezas, honrarias ou prosperidade; só Te peço que salves a minha alma.”

    E Tu, ó Jesus, que dizes? Ó bom Pastor, vê a ovelha desgarrada que retorna. Acolhe esse pecador arrependido, abençoa seus gemidos e suas lágrimas, ou antes, abençoa todos os ouvintes que se dispõem a nada querer senão a própria salvação. Irmãos, prostremo-nos aos pés do Senhor e declaremos querer salvar-nos, custe o que custar. Digamos, com olhos marejados: “Bom Jesus, quero salvar-me!” Ó lágrimas benditas, ó suspiros benditos!


    Conclusão

    Quero que todos saiam hoje consolados. Então, se me pedis minha posição sobre quantos se salvam, eis: quer sejam muitos ou poucos, quem quer salvar-se, salva-se, e ninguém se condena se não quiser. Se é verdade que poucos se salvam, é porque poucos vivem como convém. Fora isso, confronteis duas hipóteses:

    1. Suponde que um Anjo desça e confirme a primeira opinião: não só a maioria dos católicos se perde, mas, dentre todos aqui, apenas um se salvará. Pois bem, se obedecerdes aos Mandamentos, se desprezardes a corrupção do mundo e abraçardes a cruz de Cristo em penitência, sereis esse único salvo.
    2. Imaginai esse mesmo Anjo retornando e declarando: não só a maior parte dos católicos se salva, mas, de todos vós, apenas um se condenará, e todos os demais se salvarão. E se mesmo assim continuardes nas usuras, nos ódios, nos crimes, nos pecados de impureza, então sereis esse único condenado.

    De que serve querer saber se poucos ou muitos se salvam? São Pedro exorta: “Esforçai-vos, pelas boas obras, por consolidar vossa eleição.” (cf. 2Pd 1,10) Quando a irmã de São Tomás de Aquino lhe perguntou como ir para o céu, ele respondeu: “Querendo-o.” Digo o mesmo a vós, e eis a prova: ninguém se condena senão pelo pecado mortal. E não há pecado mortal sem que a pessoa o queira. Logo, ninguém se condena se não quer. Não é essa uma verdade simples, mas riquíssima de consolo? Chorai vossos pecados passados, fazei uma boa confissão, não torneis a pecar, e todos sereis salvos. Por que hesitar? Para ir ao inferno, é preciso cometer pecado mortal voluntariamente; logo, quem não quer pecar mortalmente não irá ao inferno. Essa não é mera opinião, mas fato inquestionável e consolador. Deus vos conceda entendê-lo e vos abençoe. Amém.


    Observação Final

    Nos primeiros princípios de discernimento dos espíritos, Santo Inácio ensina que é próprio do espírito maligno aquietar os pecadores em sua inércia. Devemos, pois, sempre pregar esperança e confiança na infinita misericórdia do Senhor, pois Sua graça é onipotente e a conversão é possível. Porém, não esqueçamos de que “De Deus não se zomba” (Gl 6,7), e aquele que vive habitualmente em pecado mortal segue no rumo provável da impenitência final. Embora existam milagres de última hora, eles não são a regra, e para a maioria das pessoas obstinadas, a condenação final é o desfecho mais provável.

    As razões apresentadas por São Leonardo de Porto Maurício são contundentes. Elas merecem ser ouvidas. Com brilho e clareza, ele desenvolve algo que faz lembrar uma resposta do Pe. Lombardi, num debate público com Velio Spano, líder comunista italiano, em 4 de dezembro de 1948, em Cagliari. Disse Pe. Lombardi: “Horrorizo-me de pensar que, continuando assim, acabareis no inferno.” Spano replicou: “Não creio no inferno.” E Pe. Lombardi devolveu: “Pois justamente, se continuardes assim, sereis condenado; porque, para não se condenar, é preciso crer no inferno.”

    Tal resposta pode ser generalizada. Talvez falte fé sobrenatural àqueles que não compreendem o valor pastoral de se pregar como São Leonardo de Porto Maurício. Não é que nossos costumes sejam mais virtuosos que os de antigamente. Vem a propósito a advertência do Cardeal Pie: “Vejo prudência por toda parte; em breve não haverá mais coragem em lugar algum; e, se continuarmos assim, morreremos de um ataque de sabedoria.” Não a sabedoria de Deus, evidentemente, mas a prudência mundana, que ridiculariza a pregação ardorosa de São Leonardo.

    A doutrina de São Leonardo de Porto Maurício salvou e continuará a salvar multidões de almas até o fim dos tempos. Eis como a Igreja reza no Ofício Divino (sexta lição), falando sobre sua eloquência celeste: “Diante dele, corações de ferro e de bronze se inclinavam fortemente à penitência, pela força admirável de sua pregação e de seu ardente zelo.” E, na prece litúrgica, rogamos ao Senhor: “Concede força de dobrar, pela obra da pregação, os corações endurecidos no pecado.”

    Este sermão foi proferido no pontificado do Papa Bento XIV, que estimava grandemente o missionário.


    Fonte (original em inglês):

    “Sermon by St. Leonard of Port Maurice – The Little Number of Those Who Are Saved”,
    disponível em olrl.org/snt_docs/fewness.shtml

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  • Nossa partilha de hoje será sobre confiança, ou melhor, no que ou em quem devemos confiar. Confiar somente em nós mesmos, no próximo ou em bens materiais, constantemente, leva-nos a um destino certo: a dor e o sofrimento. De acordo com as Escrituras, somente em Deus devemos confiar, a fim de que nossa vida reflita, plenamente, esse amor recebido do Pai.

    Ainda que existam irmãos e irmãs de boa vontade, todos são falhos e frágeis, características inerentes à nossa condição humana. A traição de Judas e a negação de São Pedro são bons exemplos. O profeta Jeremias adverte:

    “Maldito o homem que confia em outro homem, que da carne faz o seu apoio e cujo coração vive distante do Senhor!” (Jeremias 17,5)

    Isso não significa que devemos viver desamparados, desconfiados ou isolados, mas sim que nossa confiança última não pode estar em mãos humanas. Devemos amar e perdoar o próximo, mas com a consciência de que só Deus é imutável e fiel.

    Outro grande erro é confiar apenas em si, acreditando que nossa força e inteligência são suficientes para guiar nossa vida. A soberba espiritual e a ilusão da autossuficiência convergem para uma falsa independência, afastando-nos da graça de Deus. Nosso Senhor Jesus Cristo alerta:

    “Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (São João 15,5)

    Vários foram os reis e poderosos que caíram porque confiaram em sua própria força. Nossa verdadeira grandeza está no amor de Deus, pois somente Ele nos conhece verdadeiramente e pode iluminar nosso caminho.

    O mundo constantemente nos ilude, fazendo-nos crer que a segurança está no dinheiro, no poder, no status etc. No entanto, tudo isso é passageiro. Mais uma vez, Nosso Senhor alerta:

    “Não ajunteis para vós tesou­ros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam.” (São Mateus 6,19-20)

    A única riqueza verdadeira é a amizade com Deus, por isso devemos abrir o nosso coração para receber o seu amor.

    Ao longo da vida, tudo pode falhar. Pessoas nos decepcionam, nossa força se esgota e os bens materiais se dissipam. Mas Deus permanece o mesmo, ontem, hoje e sempre. Ele é a Rocha inabalável, o refúgio seguro em meio às tempestades da vida.

    “Que teu coração deposite toda a sua confiança no Senhor! Não te firmes em tua própria sabedoria!” (Provérbios 3,5)

    Se colocarmos nossa confiança somente em Deus, Ele nos sustentará, nos conduzirá e nos dará paz, independentemente das circunstâncias. Que nossa oração diária seja como a do salmista:

    “Só em Deus repousa minha alma, só dele me vem a salvação. Só ele é meu rochedo, minha salvação; minha fortaleza: jamais vacilarei.” (Salmo 61,2-3)

    Sejamos fontes de iluminação divina para nossos irmãos e irmãs, a fim de que essa sede do amor de Deus seja o único desejo de nossos corações.

    Confiemos, pois, no Senhor! Ele jamais decepciona!

    Rio de Janeiro, 18 de fevereiro de 2025.

    Antonio C Fernandes S F

  • Hoje, estávamos conversando sobre a frieza das relações humanas. Essa é uma triste realidade dos grandes centros urbanos, onde a solidão e o individualismo se tornam cada vez mais comuns.

    No entanto, aqui no interior, percebo algo diferente. No comércio, onde acontecem muitas das interações do dia a dia, as pessoas ainda se tratam com proximidade fraterna, como irmãos, e sempre se despedem com um sincero “Deus te abençoe”.

    Esses pequenos gestos revelam que, apesar da frieza do mundo, a chama do amor cristão ainda resiste. Há esperança!

    Salto de Pirapora, SP, 14 de fevereiro de 2025.

    Antonio C Fernandes S F

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  • Hoje, fui tocado por um vídeo que ilustra a profundidade do amor de Deus e como a fé pode permanecer viva em nosso coração, mesmo quando a mente já não responde como antes.

    No vídeo, uma senhora com demência lutava para formular frases coerentes. Seu olhar era perdido, sua fala, desconexa. No entanto, ao ser questionada sobre Jesus, suas palavras foram firmes e cheias de certeza:

    “Jesus é alguém que me salvou. E mora em meu coração. E vai me levar para casa. Eu o amo!”

    Diante desse testemunho, é impossível não refletir: o que verdadeiramente permanece em nós quando tudo o mais se esvai? O que nos define além das capacidades intelectuais e das memórias terrenas?

    Essa senhora nos ensina que a fé não é apenas um conceito racional, mas uma verdade que habita o mais íntimo do ser. Seu coração estava ancorado em Cristo e nem mesmo as limitações da mente foram capazes de apagar essa luz.

    Quantas vezes nos preocupamos com questões passageiras e nos esquecemos de cultivar esse relacionamento com Deus? O Senhor deseja fazer morada em nosso coração, mas é preciso abrir as portas para que Ele entre.

    Como está nossa vida espiritual? Temos dado espaço para que Jesus seja nosso refúgio e fortaleza?

    Que esse exemplo nos inspire a viver com essa mesma certeza: Jesus nos salvou, habita em nós e um dia nos levará para a casa do Pai. Que nossa fé não seja apenas uma teoria, mas um amor profundo e enraizado, capaz de resistir a qualquer tribulação.

    Senhor, que nossos corações sejam sempre Tua morada!

    Salto de Pirapora, SP, 12 de fevereiro de 2025.

    Antonio C Fernandes S F

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