Leitura do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 10,28-31

Naquele tempo, 28começou Pedro a dizer a Jesus: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos” 29Jesus respondeu: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, 30receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna. 31Muitos que agora são os primeiros serão os últimos. E muitos que agora são os últimos serão os primeiros”.

Alegrai-vos sempre no Senhor

Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo

(Sermo 171,1-3.5:PL38,933-935)(Séc.V)

Alegrai-vos sempre no Senhor

O Apóstolo manda que nos alegremos, mas no Senhor, não no mundo. Pois afirma a Escritura: A amizade com o mundo é inimizade com Deus (Tg 4,4). Assim como um homem não pode servir a dois senhores, da mesma forma ninguém pode alegrar-se ao mesmo tempo no mundo e no Senhor.

Vença, portanto, a alegria no Senhor, até que termine a alegria no mundo. Cresça sempre a alegria no Senhor; a alegria no mundo diminua até acabar totalmente. Não se quer dizer com isso que não devamos alegrar-nos, enquanto estamos neste mundo; mas que, mesmo vivendo nele, já nos alegremos no Senhor. 

No entanto, pode alguém observar: “Eu estou no mundo; então, se me alegro, alegro-me onde estou”. E daí? Por estares no mundo, não estás no Senhor? Escuta o mesmo Apóstolo, que falando aos atenienses, nos Atos dos Apóstolos, dizia a respeito de Deus e do Senhor, nosso Criador: Nele vivemos, nos movemos e existimos (At 17,28). Ora, quem está em toda parte, onde é que não está? Não foi para isto que fomos advertidos? O Senhor está próximo!Não vos inquieteis com coisa alguma (Fl 4,5-6).

Eis uma realidade admirável: aquele que subiu acima de todos os céus, está próximo dos que vivem na terra. Quem está tão longe e perto ao mesmo tempo, senão aquele que por misericórdia se tornou tão próximo de nós? 

Na verdade, todo o gênero humano está representado naquele homem que jazia semimorto no caminho, abandonado pelos ladrões. Desprezaram-no, ao passar, o sacerdote e o levita; mas o samaritano, que também passava por ali, aproximou-se para tratar dele e prestar-lhe socorro. O Imortal e Justo, embora estivesse longe de nós, mortais e pecadores, desceu até nós.

Quem antes estava longe, quis ficar perto de nós.Ele não nos trata como exigem nossas faltas (Sl 102,10), porque somos filhos. Como podemos provar isto? O Filho único morreu por nós para deixar de ser único. Aquele que morreu só, não quis ficar só. O Unigênito de Deus fez nascer muitos filhos de Deus. Comprou irmãos para si com seu sangue. Quis ser condenado para nos justificar; vendido, para nos resgatar; injuriado, para nos honrar; morto, para nos dar a vida. 

Portanto, irmãos, alegrai-vos no Senhor (Fl 4,4) e não no mundo; isto é, alegrai-vos com a verdade, não com a iniquidade; alegrai-vos na esperança da eternidade, não nas flores da vaidade. Alegrai-vos assim onde quer que estejais e em todo o tempo que viverdes neste mundo. O Senhor está próximo! Não vos inquieteis com coisa alguma.

Além dos Tridentes e Caldeirões

Quando você ouve a palavra “inferno”, qual é a primeira imagem que vem à sua mente? Provavelmente, um cenário digno de Hollywood ou das pinturas renascentistas: cavernas subterrâneas, fogo ardente, caldeirões ferventes e demônios vermelhos segurando tridentes enquanto torturam almas.

Acontece que essa imagem deve muito mais à literatura – especialmente a Dante Alighieri e sua genial Divina Comédia – do que à teologia cristã. Se deixarmos a cultura pop de lado e abrirmos o Catecismo da Igreja Católica (CIC), descobriremos que a realidade do inferno é muito mais profunda, trágica e, ao mesmo tempo, respeitosa em relação à liberdade humana.

Aqui estão quatro verdades fundamentais que desmentem os mitos populares sobre o juízo final e o inferno:

1. O Inferno não é um “lugar” de tortura física, mas um estado de separação

A Igreja Católica ensina que a pena principal do inferno não consiste em punições físicas criadas por um Deus vingativo. A dor suprema do inferno é a separação eterna de Deus.

O Catecismo é muito claro sobre isso:

“Morrer em pecado mortal sem estar arrependido e sem acolher o amor misericordioso de Deus significa permanecer separado d’Ele para sempre, por nossa própria livre escolha. E é este estado de autoexclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa com a palavra ‘inferno’.” (CIC 1033)

Nós fomos criados por Deus e para Deus. A nossa alma só encontra paz e plenitude n’Ele. O inferno é a tragédia da alma que, de forma consciente e obstinada, rejeitou a sua única fonte de vida e amor até o último suspiro.

2. O Diabo não é o “rei” ou o “dono” do inferno

Na caricatura popular, Satanás é o grande chefe do submundo, sentando em um trono de chamas e distribuindo castigos. Teologicamente, isso é um erro grave.

Na doutrina católica, Satanás não é o equivalente maligno de Deus. Ele é apenas uma criatura, um anjo caído que usou seu livre-arbítrio para rejeitar o Criador de forma irrevogável (CIC 391-392).

Satanás e os demônios não “governam” o inferno. Eles são, na verdade, os seus principais prisioneiros. Eles sofrem a mesma tragédia da separação eterna. O diabo não tem o poder de arrastar ninguém para o inferno contra a vontade da pessoa; ele apenas tenta e seduz, mas a escolha final sempre pertence ao coração humano.

3. Mas e a “Ira de Deus”? Não devemos temer o castigo?

A Bíblia frequentemente fala sobre o “temor do Senhor” e a “ira de Deus”, o que pode parecer contraditório com a ideia de um Deus que é Pai. No entanto, a teologia católica explica que a “ira” divina não é um descontrole emocional, mas sim a manifestação da Sua perfeita justiça e Sua oposição intransigente ao mal. O pecado destrói a alma, e Deus não trata isso de forma banal.

A Igreja nos ensina a ter o verdadeiro Temor a Deus, que é um dom do Espírito Santo. Isso não significa viver aterrorizado com o “chicote” de um mestre cruel (o chamado temor servil, que evita o pecado apenas pelo medo de ir para o inferno). O ideal cristão é o temor filial: o profundo respeito e reverência de um filho que ama tanto o seu pai que tem “pavor” de decepcioná-lo, de ferir o Seu amor ou de se afastar d’Ele. Devemos, sim, levar a justiça de Deus a sério e evitar o pecado da presunção (achar que seremos salvos de qualquer jeito), mas sem nunca cair no desespero de duvidar da Sua misericórdia.

4. Deus não manda ninguém para o inferno.

Uma das perguntas mais comuns é: “Como um Deus de amor pode mandar alguém para o inferno?” A resposta católica é surpreendente para muitos: Deus não predestina ninguém ao inferno (CIC 1037). O amor verdadeiro exige liberdade. Deus nos ama tanto que respeita a nossa liberdade de dizer “não” a Ele.

O inferno é, no fim das contas, um monumento à liberdade humana e ao respeito de Deus por nossas escolhas. Como disse o famoso apologista cristão C.S. Lewis — cujo pensamento sobre esse tema reflete perfeitamente o entendimento católico: “No fim, existem apenas dois tipos de pessoas: aquelas que dizem a Deus ‘Seja feita a vossa vontade’, e aquelas a quem Deus diz, no fim, ‘Seja feita a sua vontade’.” As portas do inferno, por assim dizer, são trancadas pelo lado de dentro.

A Mensagem Final: Foco na Esperança, não no Medo.

A Igreja Católica não ensina sobre o inferno para nos aterrorizar, mas como um chamado à responsabilidade e à conversão. A mensagem central do Evangelho não é a condenação, mas a salvação através de Jesus Cristo.

A existência do inferno nos lembra da gravidade das nossas escolhas. No entanto, a misericórdia de Deus é infinita, e os sacramentos (especialmente a Confissão e a Eucaristia) são as vias seguras e abertas por Cristo para nos curar, perdoar e nos conduzir à comunhão eterna no Céu.

Deus é um Pai que nos espera de braços abertos, não um carrasco com um tridente. A escolha, porém, de abraçá-Lo de volta, é inteiramente nossa.

Conservar-se na graça de Deus…

Fonte: DE LIGÓRIO, Santo Afonso Maria. PREPARAÇÃO PARA A MORTE. Consideração X. Ponto II.

O que mais importa é que resolvas pôr em prática os meios de conservar-se na graça de Deus. Os meios são: a Missa diária, a meditação das verdades eternas, a frequência na confissão e comunhão, ao menos a cada oito dias, a visita diária ao Santíssimo Sacramento e a Virgem Maria, a Congregação, a leitura espiritual, o exame de consciência toda noite, alguma devoção especial à Maria Santíssima, como fazer jejum no sábado e, mormente, propõe-te a, frequentemente, recomendar-se a Deus e à sua Mãe Santíssima, invocando, regularmente e especialmente, no tempo da tentação, os nomes sacrossantos de Jesus e Maria. Estes são os meios que nos podem obter uma boa morte e a salvação eterna.

O Sermão da Montanha

Todos os dias o Senhor nos oferece um caminho seguro em meio às confusões do mundo: o Sermão da Montanha (Mt 5–7). Nele, Jesus abre o coração e revela o “manual” da verdadeira felicidade, a estrada estreita que conduz à salvação. Quem volta, diariamente, a estas palavras, deixa de viver guiado apenas por emoções e opiniões, e passa a ser conduzido pelo próprio Cristo.

Quando meditamos as bem-aventuranças, quando deixamos que o “amai-vos uns aos outros” e o “buscai primeiro o Reino de Deus” desçam da mente para o coração, o Evangelho deixa de ser teoria e se torna vida concreta. É assim que o Senhor vai purificando nossos pensamentos, curando nossas feridas e moldando em nós um coração manso, humilde e firme na verdade.

Reserve, então, alguns minutos por dia para ler ao menos um pequeno trecho do Sermão da Montanha. Leia devagar, peça luz ao Espírito Santo, aplique uma frase à sua realidade concreta e ofereça a Jesus o propósito de vivê-la naquele dia. Pouco a pouco, essas palavras irão formar em você um discípulo mais fiel, mais livre e mais parecido com o Mestre.

O Sermão da Montanha é escola de santidade, síntese do Evangelho e caminho seguro de salvação. Quem caminha todos os dias por essas páginas, caminha com o próprio Cristo.

Aprenda a ler o Sermão da Montanha:

O Sermão da Montanha:

O tempo é rei…

Fonte: https://youtu.be/Nh9PA3XNVhk?si=xzpTMN7TB_t0s37U

Eu já fui vilão, na história que alguém contou para um monte de gente.

E ficava triste, ficava preocupado, queria contar minha versão. Hoje, nem ligo.

Hoje, prefiro minha paz, minha consciência tranquila e minha cabeça no travesseiro. Tranquilamente, depois que aprendi que o tempo é rei, o tempo demonstra a verdadeira versão.

Sei que não tem como anular os efeitos que uma mentira contada por alguém causa, mas os frutos que você colhe por ter uma consciência tranquila não têm comparação.

Por isso, todo mundo é vilão na boca ou na história que alguém contou, sem te dar a oportunidade de contar sua versão. Mas deixa que o tempo vai passar, o tempo vai mostrar, o tempo é rei.

Ele conta quem estava certo e quem estava errado. Quem perdeu quem, quem errou com quem. Porque, se tem uma coisa que aprendi, é que a colheita sempre vem.

Não perde tempo se explicando. Se possível sair como vilão, deixa e fica em paz.

O tempo é rei!

Êxodo 20 – Os mandamentos de Deus

Então Deus pronunciou todas estas palavras: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair do Egito, da casa da servidão.
Não terás outros deuses diante de minha face.
Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto. Eu sou o Senhor, teu Deus, um Deus zeloso que vingo a iniqüidade dos pais nos filhos, nos netos e nos bisnetos daqueles que me odeiam, mas uso de misericórdia até a milésima geração com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.
Não pronunciarás o nome de Javé, teu Deus, em prova de falsidade, porque o Senhor não deixa impune aquele que pronuncia o seu nome em favor do erro.
Lembra-te de santificar o dia de sábado.
Trabalharás durante seis dias, e farás toda a tua obra. Mas no sétimo dia, que é um repouso em honra do Senhor, teu Deus, não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu animal, nem o estrangeiro que está dentro de teus muros. Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que contêm, e repousou no sétimo dia; e por isso. o Senhor abençoou o dia de sábado e o consagrou.
Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se prolonguem sobre a terra que te dá o Senhor, teu Deus.
Não matarás.
Não cometerás adultério.
Não furtarás.
Não levantarás falso testemunho contra teu próximo.
Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem nada do que lhe pertence”.
Diante dos trovões, das chamas, da voz da trombeta e do monte que fumegava, o povo tremia e conservava-se à distância.
E disseram a Moisés: “Fala-nos tu mesmo, e te ouviremos; mas não nos fale Deus, para que não morramos”. Moisés respondeu-lhes: “Não temais, porque é para vos provar que Deus veio e para que o seu temor, sempre presente aos vossos olhos, vos preserve de pecar”. E o povo conservou-se à distância, enquanto Moisés se aproximava da nuvem onde se encontrava Deus.