Conservar-se na graça de Deus…

Fonte: DE LIGÓRIO, Santo Afonso Maria. PREPARAÇÃO PARA A MORTE. Consideração X. Ponto II.

O que mais importa é que resolvas pôr em prática os meios de conservar-se na graça de Deus. Os meios são: a Missa diária, a meditação das verdades eternas, a frequência na confissão e comunhão, ao menos a cada oito dias, a visita diária ao Santíssimo Sacramento e a Virgem Maria, a Congregação, a leitura espiritual, o exame de consciência toda noite, alguma devoção especial à Maria Santíssima, como fazer jejum no sábado e, mormente, propõe-te a, frequentemente, recomendar-se a Deus e à sua Mãe Santíssima, invocando, regularmente e especialmente, no tempo da tentação, os nomes sacrossantos de Jesus e Maria. Estes são os meios que nos podem obter uma boa morte e a salvação eterna.

Ser santo, amigo de Deus

Homilia do Papa Bento XVI, de 1° de novembro de 2006:

Mas como é que podemos tornar-nos santos, amigos de Deus? A esta interrogação pode-se responder antes de tudo de forma negativa: para ser santo não é necessário realizar ações extraordinárias, nem possuir carismas excepcionais. Depois, vem a resposta positiva: é preciso sobretudo ouvir Jesus e depois segui-lo sem desanimar diante das dificuldades. “Se alguém me serve — Ele admoesta-nos — que me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. Se alguém me servir, o Pai há de honrá-lo” (João 12, 26). Quem nele confia e o ama com sinceridade, como o grão de trigo sepultado na terra, aceita morrer para si mesmo. Com efeito, Ele sabe que quem procura conservar a sua vida para si mesmo, perdê-la-á, e quem se entrega, se perde a si mesmo, precisamente assim encontra a própria vida (cf. João 12, 24-25). A experiência da Igreja demonstra que cada forma de santidade, embora siga diferentes percursos, passa sempre pelo Caminho da Cruz, pelo caminho da renúncia a si mesmo. As biografias dos santos descrevem homens e mulheres que, dóceis aos desígnios divinos, enfrentaram por vezes provações e sofrimentos indescritíveis, perseguições e o martírio. Perseveraram no seu compromisso: “vêm da grande tribulação — lê-se no Apocalipse — lavaram as suas túnicas e branquearam-nas no Sangue do Cordeiro” (Apocalipse 7, 14). Os seus nomes estão inscritos no Livro da Vida (cf. Apocalipse 20, 12); a sua morada eterna é o Paraíso. O exemplo dos santos constitui para nós um encorajamento a seguir os mesmos passos, a experimentar a alegria daqueles que confiam em Deus, porque a única verdadeira causa de tristeza e de infelicidade para o homem é o fato de viver longe de Deus.

O Cristo

Compartilho algumas reflexões de Luiz Paulo Horta, a fim de nos lembrarmos de quem é Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso melhor Amigo e destino de todo o nosso amor e contemplação. Meus irmãos, reflitam! A quem vocês estão servindo?!

A vida na comunidade paroquial é para amar, contemplar e louvar, mas não se trata de lugar para se envolver em jogos de poder, afastar, isolar, humilhar, obter lucro etc. Devemos estar sempre vigilantes para nos defender dos lobos que insistem em estar entre nós. Isso não é algo novo, pois, desde o cristianismo primitivo, convivemos com esses focos de tumor em nossa comunidade. Nos conforta saber que o mal nunca vencerá!

Jesus é silencioso e compassivo. Nosso Senhor constantemente nos ensina a não chamar a atenção, não vestir roupas vistosas e não ser egoísta. Sigamos o exemplo do Cristo, de seu Amor pelos irmãos e pelo Pai. Ainda há tempo de alcançar nossa salvação e evitar nossa condenação. Reflitamos sobre os trechos abaixo, a fim de que o Espírito Santo nos fortaleça no caminho de sermos instrumentos do Bem e não do mal.

“Mas a presença do Cristo entre aquelas multidões compostas, a princípio, só de pessoas humildes, não é um rosário de milagres. Ele não faz milagre a qualquer hora, ou simplesmente porque alguém pede. Pelo contrário, em muitos casos ele esconde o milagre; manda que o beneficiário não conte a ninguém o que lhe aconteceu.” (2011:203)

“Jesus Cristo deixa os seus sinais, mas não aparece de modo estrondoso; como se quisesse dizer: ‘Eu não vou violar a sua liberdade com uma demonstração incontestável; quem tem olhos para ver, veja; quem tem ouvidos para ouvir, ouça.’” (2011:204)

“‘Bem-aventurados’ quer dizer ‘felizes’. O Cristo está dando uma receita de felicidade, não de tristeza. E que receita é essa? Que você terá acesso a todos os bens do mundo, que você vai ‘herdar a terra’, na medida em que abrir a mão crispada com que tentamos nos apossar de tudo, garantir tudo, ter poder sobre tudo. Nesse sentido é que o Evangelho […] significa uma revolução, porque inverte as prioridades do ‘mundo’. O que o Evangelho chama de ‘mundo’ […] é a rede de interesses que forja o dia a dia das sociedades, a luta pelo poder e pelo dinheiro, o desejo de dominar, de transformar o prazer individual em regra universal. São Francisco de Assis, mais do que ninguém, entendeu esta lição do Evangelho: se você abraça a verdadeira pobreza, longe de ter perdido tudo, na verdade ganhou o mundo inteiro, porque a sua alma se liberta.

[…] Por isso é que a primeira bem-aventurança se refere aos ‘pobres de espírito’ — aqueles que possuem as coisas como se não as possuíssem, que usufruem os bens deste mundo sem se deixarem aprisionar por eles, sem se tornarem escravos dos desejos, vassalos das paixões.

[…] Esta é a revolução do Cristo. E para seguir nessas águas temos que descobrir em nós uma nova criatura, soterrada sob séculos de conformismo e de egoísmo. Este é o caminho do Reino.

Impossível? Mas o Reino não é uma coisa estática, como explicou o próprio Cristo, em algumas de suas mais belas parábolas. Por exemplo: ‘O Reino dos Céus é comparável ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha e faz fermentar toda a massa.’

O fermento na massa: assim já foi descrito, muitas vezes, o poder misterioso da Palavra.” (2011:209-211)

HORTA, Luiz Paulo. A Bíblia: Um Diário de Leitura. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.

Dores e dificuldades como o caminho de união com Deus

Que a Paz de Nosso Senhor esteja sempre em nossos corações, sustentando nossa esperança e nos guiando na busca constante por uma maior proximidade com Deus. Que essa Paz mantenha viva nossa fé e nos fortaleça a cada dia no caminho da santidade.

Devemos lembrar que nossas dores e dificuldades são também uma oferta preciosa que podemos apresentar a Deus como frutos de nossa fé. Que possamos enxergar nas provações uma oportunidade de profunda união com o Senhor, confiando em Sua graça e misericórdia.

Rio de Janeiro, 20 de setembro de 2024.

Antonio C Fernandes S F