A Sabedoria Universal dos Antigos e a Realidade Decodificada

O texto a seguir consiste em um resumo analítico e interpretativo do vídeo “The Ancients Decoded Reality”, publicado por Chase Hughes. O conteúdo aborda uma visão de religião comparada, buscando pontos de convergência entre diversos textos sagrados da humanidade, incluindo o Cristianismo, o Budismo, o Hinduísmo, o Taoísmo, entre outros. Embora este blog mantenha uma linha editorial fundamentada na fé católica, julgo interessante compartilhar esta reflexão como um exercício intelectual de compreensão sobre como diferentes culturas, ao longo dos milênios, tentaram descrever a experiência do divino e a natureza da realidade humana. As citações e conclusões apresentadas pertencem ao autor do vídeo e são trazidas aqui para fins de estudo e aprofundamento pessoal.

A Sabedoria Universal dos Antigos e a Realidade Decodificada

Desde a infância, o pesquisador Chase Hughes nutriu uma obsessão peculiar pelo estudo de textos antigos. Não se tratava de uma leitura superficial, mas de uma análise técnica comparativa de mais de cento e noventa escritos sagrados provenientes de todas as partes da civilização humana, abrangendo tradições cristãs, hindus, budistas, judaicas, islâmicas, egípcias, maias, dentre outras. O que chamou a atenção do autor foi o fato de que, mesmo separados por oceanos e milênios, sem qualquer possibilidade de influência mútua, esses textos parecem sussurrar a mesma mensagem essencial. Não se trata apenas de semelhanças, mas da repetição de cinco verdades fundamentais sobre a realidade.

A premissa inicial é que, se existe uma Verdade última ou Deus, essa realidade antecede qualquer livro, língua ou tradição específica. Assim como a gravidade existia antes de ser nomeada e a matemática funciona universalmente, a verdade não muda com base na cultura; ela apenas é descrita através de lentes humanas distintas e imperfeitas. O grande obstáculo para essa compreensão, segundo Hughes, é a linguagem. A linguagem humana, desenvolvida para o comércio e para a descrição de coisas finitas, funciona como uma gaiola incapaz de capturar o infinito. Por isso, grandes mestres como Jesus falaram em parábolas e Lao Tsé utilizou paradoxos. Eles tentavam descrever o indescritível, sabendo que, no momento em que a verdade absoluta é colocada em palavras, ela sofre uma distorção.

A primeira verdade universal identificada pelo autor é a de que nós não somos separados. A separação é descrita como uma alucinação ou uma falha na percepção humana. Diversas tradições apontam para isso. Os Upanishads dizem que você é o divino vestindo um traje humano. Jesus afirmou que o Reino de Deus está dentro de nós. Os textos sufis ensinam que não somos uma gota no oceano, mas o oceano inteiro em uma gota. A metáfora utilizada é a de uma onda que se levanta do mar: ela parece separada, tem forma e duração, mas nunca deixa de ser o oceano. Assim, a ideia de isolamento é ilusória; somos a expressão de uma realidade única e viva.

A segunda verdade decorrente é que o medo é uma ilusão e o amor é a única realidade. O medo é apresentado como a grande mentira que molda a vida humana, enquanto o amor é a verdade que liberta. A frase mais repetida na Bíblia é “não tenhais medo”. O amor, neste contexto antigo, não se refere ao romance, mas à unidade e ao alinhamento. O medo contrai, isola e alimenta o ego, enquanto o amor expande e dissolve as barreiras. O sofrimento humano, portanto, surgiria da crença na mentira da separação e na predominância do medo.

A terceira verdade aborda a natureza da mente, postulando que ela é um projetor e não uma câmera. O cérebro não apenas registra a realidade, mas a gera. Textos herméticos afirmam que o Todo é Mente, e a física quântica sugere que a observação altera o comportamento da matéria. Nossos medos, crenças e memórias atuam como filtros que remodelam a realidade antes que a percebamos. Assim, duas pessoas podem vivenciar o mesmo momento de formas totalmente distintas, pois a experiência externa é um reflexo da condição interna.

A quarta verdade identifica o grande inimigo da liberdade humana: o ego. Se não somos separados e se a mente projeta a realidade, o único obstáculo é a parte de nós que acredita no contrário. O ego é definido não como a identidade pessoal, mas como uma história construída para sobreviver ao medo, uma máscara feita de traumas e inseguranças que deseja a separação, a hierarquia e o conflito para existir. Tradições antigas, como o ensinamento de Jesus sobre morrer para si mesmo ou o conceito budista de desapego ao eu, alertam que não se pode experimentar a verdade enquanto se protege uma ilusão.

A quinta e última verdade é que tudo está conectado. Uma vez que a ilusão do ego se desfaz, percebe-se que tudo é um sistema único. Do hermetismo que diz que “o que está em cima é como o que está embaixo”, à ciência moderna com o entrelaçamento quântico, a conclusão é a de que nada existe independentemente. Cada ação e intenção reverbera no todo, pois a vida não acontece para nós, mas por meio de nós.

O autor questiona como a humanidade perdeu esse conhecimento e sugere que simplesmente esquecemos quem somos. A civilização, baseada na necessidade de proteção e recursos, transformou o medo em hábito e cultura. Construímos sociedades sobre a mentira da separação, buscando preencher o vazio com materialismo, poder e distrações, trocando o sentido da vida por dopamina e ruído. A profecia antiga alerta que, ao esquecermos de nós mesmos, esquecemos tudo o que importa.

No entanto, os textos antigos também deixaram um mapa para o despertar, que começa quando a ilusão se torna insuportável. Esse caminho inicia-se com a Verdade, passa pela presença no momento agora, conforme ensinado tanto por Buda quanto por Cristo ao dizer para não nos preocuparmos com o amanhã, e segue pela compaixão e serviço ao próximo. O despertar exige quietude e autoconhecimento, transformando o sofrimento em sabedoria e catalisador de crescimento, como citado na Epístola aos Romanos.

Por fim, a conclusão é que o despertar não é tornar-se algo novo, mas lembrar-se do que sempre fomos. É um retorno ao lar, um reconhecimento de que nunca estivemos separados. Não é um evento de fogos de artifício, mas o alívio de soltar um peso que carregamos a vida inteira. A verdade nunca esteve escondida; ela estava apenas aguardando o momento em que a ilusão do medo e do ego perdesse sua autoridade.

Referência:

HUGHES, Chase. The Ancients Decoded Reality. 11 fev. 2026. 1 vídeo (38 min). Publicado pelo canal Chase Hughes. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ADYdypHZb2A. Acesso em: 13 fev. 2026.

Pedras Vivas

Conseqüentemente, já não sois hóspedes nem peregrinos, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus. (Ef 2,19-20)

Somos pedras vivas encaixadas no edifício para a habitação de Deus. Pela Sua graça, somos membros do Corpo Místico de Cristo.

Antonio Fernandes

Em Cristo, morrer é viver!

Padre Ferdinando Capra costumava dizer: “Em Cristo, morrer é viver!”.

Com grande amor, educou-nos na fé, e nos deixou um precioso legado: o blog (https://comentariosbiblicospadrefernandocapra.blogspot.com/?m=0) e os vídeos do seu canal (https://www.youtube.com/@ferdinandocapra).

Hoje, confiamos sua alma à infinita misericórdia de Deus: dai-lhe, Senhor, o descanso eterno, e brilhe para ele a vossa luz.

“Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.” (Jo 11,25)

Minha solidariedade fraterna a todos os irmãos e irmãs da Paróquia São Paulo Apóstolo.

Rio de Janeiro, 12 de outubro de 2025.

Antonio Carlos Fernandes da Silva Filho

Pilares da Fé

O mundo nos envolve de tal maneira que muitas vezes nos impede de perceber o que é essencial. É precisamente por isso que a fé se revela como a maior graça concedida por Deus. Como nos recorda o próprio Cristo:

“Jesus lhe respondeu: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14,6).

A nossa caminhada cristã se sustenta sobre dois pilares: o consolo diário que brota da misericórdia divina, que nos permite aceitar que somos constantemente perdoados por meio da confissão, e a esperança firme de que Cristo, ao vencer a morte, nos abriu para sempre as portas da vida eterna.

Precisamos ter fé de que nunca estamos sozinhos, pois o Deus muitas vezes esquecido, o Espírito Santo, sempre nos conduz e protege. A verdadeira transcendência com o Pai nasce dentro de nós, no mais íntimo de nossos corações. Por isso, tudo o que sentimos, inclusive as nossas cruzes, pode e deve ser ofertado a Deus como prova do nosso amor.

Como nos ensina o nosso amado Padre Capra, Jesus, com sua própria vida, nos mostrou que obedecer à vontade de Deus é o caminho seguro para a verdadeira glória: participar da vida eterna junto d’Ele.

Rio, 9 de agosto de 2025.

Antonio C. Fernandes S. F.

O Cristo

Compartilho algumas reflexões de Luiz Paulo Horta, a fim de nos lembrarmos de quem é Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso melhor Amigo e destino de todo o nosso amor e contemplação. Meus irmãos, reflitam! A quem vocês estão servindo?!

A vida na comunidade paroquial é para amar, contemplar e louvar, mas não se trata de lugar para se envolver em jogos de poder, afastar, isolar, humilhar, obter lucro etc. Devemos estar sempre vigilantes para nos defender dos lobos que insistem em estar entre nós. Isso não é algo novo, pois, desde o cristianismo primitivo, convivemos com esses focos de tumor em nossa comunidade. Nos conforta saber que o mal nunca vencerá!

Jesus é silencioso e compassivo. Nosso Senhor constantemente nos ensina a não chamar a atenção, não vestir roupas vistosas e não ser egoísta. Sigamos o exemplo do Cristo, de seu Amor pelos irmãos e pelo Pai. Ainda há tempo de alcançar nossa salvação e evitar nossa condenação. Reflitamos sobre os trechos abaixo, a fim de que o Espírito Santo nos fortaleça no caminho de sermos instrumentos do Bem e não do mal.

“Mas a presença do Cristo entre aquelas multidões compostas, a princípio, só de pessoas humildes, não é um rosário de milagres. Ele não faz milagre a qualquer hora, ou simplesmente porque alguém pede. Pelo contrário, em muitos casos ele esconde o milagre; manda que o beneficiário não conte a ninguém o que lhe aconteceu.” (2011:203)

“Jesus Cristo deixa os seus sinais, mas não aparece de modo estrondoso; como se quisesse dizer: ‘Eu não vou violar a sua liberdade com uma demonstração incontestável; quem tem olhos para ver, veja; quem tem ouvidos para ouvir, ouça.’” (2011:204)

“‘Bem-aventurados’ quer dizer ‘felizes’. O Cristo está dando uma receita de felicidade, não de tristeza. E que receita é essa? Que você terá acesso a todos os bens do mundo, que você vai ‘herdar a terra’, na medida em que abrir a mão crispada com que tentamos nos apossar de tudo, garantir tudo, ter poder sobre tudo. Nesse sentido é que o Evangelho […] significa uma revolução, porque inverte as prioridades do ‘mundo’. O que o Evangelho chama de ‘mundo’ […] é a rede de interesses que forja o dia a dia das sociedades, a luta pelo poder e pelo dinheiro, o desejo de dominar, de transformar o prazer individual em regra universal. São Francisco de Assis, mais do que ninguém, entendeu esta lição do Evangelho: se você abraça a verdadeira pobreza, longe de ter perdido tudo, na verdade ganhou o mundo inteiro, porque a sua alma se liberta.

[…] Por isso é que a primeira bem-aventurança se refere aos ‘pobres de espírito’ — aqueles que possuem as coisas como se não as possuíssem, que usufruem os bens deste mundo sem se deixarem aprisionar por eles, sem se tornarem escravos dos desejos, vassalos das paixões.

[…] Esta é a revolução do Cristo. E para seguir nessas águas temos que descobrir em nós uma nova criatura, soterrada sob séculos de conformismo e de egoísmo. Este é o caminho do Reino.

Impossível? Mas o Reino não é uma coisa estática, como explicou o próprio Cristo, em algumas de suas mais belas parábolas. Por exemplo: ‘O Reino dos Céus é comparável ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha e faz fermentar toda a massa.’

O fermento na massa: assim já foi descrito, muitas vezes, o poder misterioso da Palavra.” (2011:209-211)

HORTA, Luiz Paulo. A Bíblia: Um Diário de Leitura. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.

O silêncio do ofendido…

“A pior coisa para mim é eu ofender uma pessoa e não haver uma reação da outra parte.” Marcelo Araújo

No caminho da fé, somos constantemente chamados à conversão do coração. Quando ofendemos um irmão, mesmo sem intenção, ferimos a dignidade de um filho de Deus. E quando esse irmão permanece em silêncio, sem reação, somos confrontados com um espelho espiritual. O silêncio do ofendido reflete o vazio que nosso pecado provocou, não apenas no outro, mas também em nós.

Jesus nos ensinou que a reconciliação deve preceder qualquer oferta feita no altar (Mt 5,23-24). O silêncio de quem foi ferido, muitas vezes, é um grito mudo que clama por justiça, por acolhimento ou por um pedido sincero de perdão. Esse silêncio pode ser também uma cruz para quem sofre e para quem ofendeu, mas é, acima de tudo, um convite à humildade.

Se a falta de reação nos inquieta, é sinal de que ainda há amor em nosso coração. E o amor verdadeiro não se conforma com a ferida aberta, pois ele busca restaurar, pedir perdão, fazer as pazes. No silêncio do outro, Cristo nos fala. Nos chama à responsabilidade, à misericórdia, à coragem de ir ao encontro e dizer: “Perdoa-me, meu irmão. Ao te ofender, pequei contra Deus.”

Que o Espírito Santo nos conceda sabedoria para reconhecer nossas falhas, sensibilidade para perceber o sofrimento alheio e coragem para restaurar, com caridade, aquilo que foi rompido. Pois onde há reconciliação, ali está presente o Reino de Deus.

A Paz de Cristo e o Amor de Maria.

Antonio C Fernandes S F

A Última Homilia de Sexta-feira Santa de Fulton Sheen: Espectadores Ao Pé da Cruz

Escrito por Carol Lynn Miller | 19 de abril de 2019

Fonte: https://www.magiscenter.com/blog/fulton-sheens-last-good-friday-homily-spectators-on-and-about-the-cross?hs_amp=true

Em 1979, uma grande multidão se reuniu na Igreja de Santa Inês, em Nova York, para ouvir a sabedoria de Dom Fulton Sheen, naquela que seria a última homilia de Sexta-feira Santa que ele proferiu.

O tema escolhido por Dom Sheen foi: “Espectadores ao Pé da Cruz”. Ele dividiu os espectadores em três grupos:

1. Os espectadores indiferentes ou afastados da fé

2. Os espectadores da dor

3. Os espectadores do amor

E como isso se aplica a nós?

Em um momento de sua homilia, Dom Sheen declarou:

“Somos espectadores neste dia. Todos nós, em diferentes graus, somos espectadores.”

Nesta Sexta-feira Santa, ao revivermos a Paixão e Morte de Nosso Senhor, unimo-nos àquela multidão de espectadores.

Os Espectadores Indiferentes ou Afastados

São representados pelos quatro soldados que, sob a cruz, apenas observam. Eles não contemplam com reverência, mas foram encarregados de vigiar o corpo de Cristo, pois haviam sido avisados de que Ele poderia ressuscitar. Enquanto mantêm vigília, lançam sortes sobre Sua túnica.

A esses afastados da fé, Dom Sheen diz que, embora não creiam, ainda observam e pensam:

“Talvez Ele ressuscite. É melhor ficarmos por aqui.”

E completa:

“Vocês jogam dados, buscam pequenos prazeres aqui e ali, tentando esquecer que abandonaram a fé. Mas, ao mesmo tempo, a graça de Deus vos inquieta e vos perturba.”

Apesar do afastamento de Deus, Dom Sheen termina com uma mensagem de esperança:

Se os indiferentes e afastados simplesmente se deixarem conduzir ao confessionário, Deus os acolherá com misericórdia infinita.

Os Espectadores da Dor

Representados pelos dois ladrões crucificados, um à direita e outro à esquerda de Cristo. Eles simbolizam todos nós que sofremos com dores, angústias, preocupações mentais, tribulações e tristezas.

Dom Sheen expressa com beleza:

“É justo, portanto, que o Bom Senhor, ao olhar para a dor, nos deixasse uma lição.”

E qual lição nos deixou o Senhor?

Por meio do bom ladrão — aquele que se arrepende e diz:

“Senhor, lembra-Te de mim quando entrares no Teu Reino” — aprendemos que Deus nunca nos permite carregar um fardo maior do que podemos suportar.

Citando C.S. Lewis, que Dom Sheen também menciona:

“Deus sussurra em nossos prazeres, fala em nossa consciência, mas grita em nossas dores: a dor é o megafone de Deus para despertar um mundo surdo.”

Dom Sheen explica que os efeitos da dor são o oposto dos de uma pedra lançada na água: ao invés de se expandirem para fora, os círculos da dor recolhem-se para dentro, até que reste apenas a alma diante de Deus.

A dor, assim, pode ser um instrumento de união com o Senhor.

O bom ladrão compreendeu isso e nos mostra que a dor pode transformar-se em janela para a verdade de que nossa morada definitiva não está neste mundo marcado pelo sofrimento, mas no Reino que Cristo chama de Paraíso.

Os Espectadores do Amor

São representados por duas mulheres ao pé da cruz: Maria Santíssima, nossa Mãe, e Maria Madalena.

Essas duas mulheres encarnam dois tipos de amor:

• O amor de necessidade, que nasce de nossa imperfeição e carência

• O amor de doação, que nada deseja para si, mas tudo oferece

Dom Sheen explica que o amor de necessidade nasce de nossa condição limitada. Como criaturas, necessitamos de muitas coisas:

“Precisamos de alimento para o corpo, pensamento para a mente, música para os ouvidos, amigos para o coração. Tudo isso supre uma carência.”

Esse amor está relacionado ao amor erótico, entendido por Freud não como amor pela pessoa, mas desejo do prazer que ela proporciona.

Por outro lado, o amor de doação nada quer, nada exige. Apenas se entrega, se rende, se sacrifica.

Antes de sua conversão, Maria Madalena representava o amor de necessidade. Após seu encontro verdadeiro com Cristo, seu amor transforma-se em amor de doação — o mesmo amor de Nossa Senhora.

Ela já não buscava algo para si, mas desejava doar-se inteiramente ao Senhor.

E Nós? Também Somos Espectadores?

Como Dom Sheen afirmou:

“Somos espectadores neste dia. Todos nós, em diferentes graus, somos espectadores.”

A cada Sexta-feira Santa temos a oportunidade de nos unir aos que estavam ao pé da cruz há dois mil anos. Podemos reconhecer em nós traços de cada um desses grupos:

• Os indiferentes nos lembram que ninguém está fora do alcance da misericórdia divina.

• Os que sofrem nos mostram que Deus nos fala por meio da dor.

• Os que amam nos ensinam que o verdadeiro amor é aquele que se doa por inteiro.

Agradecemos a Dom Fulton Sheen por estas palavras de sabedoria neste tempo santo da Paixão do Senhor.

Confiança em Deus

Nossa partilha de hoje será sobre confiança, ou melhor, no que ou em quem devemos confiar. Confiar somente em nós mesmos, no próximo ou em bens materiais, constantemente, leva-nos a um destino certo: a dor e o sofrimento. De acordo com as Escrituras, somente em Deus devemos confiar, a fim de que nossa vida reflita, plenamente, esse amor recebido do Pai.

Ainda que existam irmãos e irmãs de boa vontade, todos são falhos e frágeis, características inerentes à nossa condição humana. A traição de Judas e a negação de São Pedro são bons exemplos. O profeta Jeremias adverte:

“Maldito o homem que confia em outro homem, que da carne faz o seu apoio e cujo coração vive distante do Senhor!” (Jeremias 17,5)

Isso não significa que devemos viver desamparados, desconfiados ou isolados, mas sim que nossa confiança última não pode estar em mãos humanas. Devemos amar e perdoar o próximo, mas com a consciência de que só Deus é imutável e fiel.

Outro grande erro é confiar apenas em si, acreditando que nossa força e inteligência são suficientes para guiar nossa vida. A soberba espiritual e a ilusão da autossuficiência convergem para uma falsa independência, afastando-nos da graça de Deus. Nosso Senhor Jesus Cristo alerta:

“Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (São João 15,5)

Vários foram os reis e poderosos que caíram porque confiaram em sua própria força. Nossa verdadeira grandeza está no amor de Deus, pois somente Ele nos conhece verdadeiramente e pode iluminar nosso caminho.

O mundo constantemente nos ilude, fazendo-nos crer que a segurança está no dinheiro, no poder, no status etc. No entanto, tudo isso é passageiro. Mais uma vez, Nosso Senhor alerta:

“Não ajunteis para vós tesou­ros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam.” (São Mateus 6,19-20)

A única riqueza verdadeira é a amizade com Deus, por isso devemos abrir o nosso coração para receber o seu amor.

Ao longo da vida, tudo pode falhar. Pessoas nos decepcionam, nossa força se esgota e os bens materiais se dissipam. Mas Deus permanece o mesmo, ontem, hoje e sempre. Ele é a Rocha inabalável, o refúgio seguro em meio às tempestades da vida.

“Que teu coração deposite toda a sua confiança no Senhor! Não te firmes em tua própria sabedoria!” (Provérbios 3,5)

Se colocarmos nossa confiança somente em Deus, Ele nos sustentará, nos conduzirá e nos dará paz, independentemente das circunstâncias. Que nossa oração diária seja como a do salmista:

“Só em Deus repousa minha alma, só dele me vem a salvação. Só ele é meu rochedo, minha salvação; minha fortaleza: jamais vacilarei.” (Salmo 61,2-3)

Sejamos fontes de iluminação divina para nossos irmãos e irmãs, a fim de que essa sede do amor de Deus seja o único desejo de nossos corações.

Confiemos, pois, no Senhor! Ele jamais decepciona!

Rio de Janeiro, 18 de fevereiro de 2025.

Antonio C Fernandes S F

A chama do amor cristão ainda resiste

Hoje, estávamos conversando sobre a frieza das relações humanas. Essa é uma triste realidade dos grandes centros urbanos, onde a solidão e o individualismo se tornam cada vez mais comuns.

No entanto, aqui no interior, percebo algo diferente. No comércio, onde acontecem muitas das interações do dia a dia, as pessoas ainda se tratam com proximidade fraterna, como irmãos, e sempre se despedem com um sincero “Deus te abençoe”.

Esses pequenos gestos revelam que, apesar da frieza do mundo, a chama do amor cristão ainda resiste. Há esperança!

Salto de Pirapora, SP, 14 de fevereiro de 2025.

Antonio C Fernandes S F

A Fé que permanece

Hoje, fui tocado por um vídeo que ilustra a profundidade do amor de Deus e como a fé pode permanecer viva em nosso coração, mesmo quando a mente já não responde como antes.

No vídeo, uma senhora com demência lutava para formular frases coerentes. Seu olhar era perdido, sua fala, desconexa. No entanto, ao ser questionada sobre Jesus, suas palavras foram firmes e cheias de certeza:

“Jesus é alguém que me salvou. E mora em meu coração. E vai me levar para casa. Eu o amo!”

Diante desse testemunho, é impossível não refletir: o que verdadeiramente permanece em nós quando tudo o mais se esvai? O que nos define além das capacidades intelectuais e das memórias terrenas?

Essa senhora nos ensina que a fé não é apenas um conceito racional, mas uma verdade que habita o mais íntimo do ser. Seu coração estava ancorado em Cristo e nem mesmo as limitações da mente foram capazes de apagar essa luz.

Quantas vezes nos preocupamos com questões passageiras e nos esquecemos de cultivar esse relacionamento com Deus? O Senhor deseja fazer morada em nosso coração, mas é preciso abrir as portas para que Ele entre.

Como está nossa vida espiritual? Temos dado espaço para que Jesus seja nosso refúgio e fortaleza?

Que esse exemplo nos inspire a viver com essa mesma certeza: Jesus nos salvou, habita em nós e um dia nos levará para a casa do Pai. Que nossa fé não seja apenas uma teoria, mas um amor profundo e enraizado, capaz de resistir a qualquer tribulação.

Senhor, que nossos corações sejam sempre Tua morada!

Salto de Pirapora, SP, 12 de fevereiro de 2025.

Antonio C Fernandes S F